domingo, 10 de fevereiro de 2013

Mil milhões e poesia

Parece que vai haver um corte de quatro mil milhões (tanto dinheiro que escapa à nossa capacidade de abstração).
 
Parece que o corte virá quase todo do lado das chamadas "prestações sociais".
 
Parece que é mais fácil quebrar o contrato social do que o contrato das PPP's.
 
Parece que isso tudo vai ocorrer numa época em que bancos são nacionalizados mas o Estado neles não manda e outros falidos e vendidos são um buraco sem fundo que continuamos a encher.
 
Parece que o corte vai ocorrer, mas ninguém negociou. Confederações patronais e sindicais aguardam. Nós também.
 
Parece que o Governo esteve reunido e resolveu cortar e como cortar, como se estivessem a escolher um Papa, em segredo, puro conclave. Isto em plena Democracia.
 
Parece que a coisa vai ser a doer, mas a Troika vai ficar a saber antes dos portugueses.
 
Será menos ou mais? Menos salário? Mais impostos? Menos Saúde? Mais despedimentos? Menos comida na mesa? Menos subsídio desemprego? ...

Se calhar apresentando primeiro à Troika o Governo ache que a coisa assume ares de compromisso internacional e seja mais fácil a resignação. Se calhar.

Boa coisa não é, ou não haveria segredo. Passos aprendeu com a TSU.

Certo, certo é que vamos todos tomar no cú.

Fazer o que?

Ler poesia...


O açúcar já se acabou?...Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?...Subiu.
Logo já convalesceu?...Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece,

Cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, subiu, e morreu.

A Câmara não acode?...Não pode.
Pois não tem todo o poder?...Não quer.
É que o governo a convence?...Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma Câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.


Gregório de Matos (1636-1695)

Sem comentários:

Enviar um comentário