sábado, 27 de abril de 2013

META 10 - AUMENTAR OS NÍVEIS DE EFICIÊNCIA E EFICÁCIA DO SISTEMA EDUCATIVO

OBJETIVO
Até 2014, criação, na Universidade dos Açores, de um Observatório da Educação e Formação, a funcionar de forma totalmente independente da Secretaria Regional da Educação, com o objetivo de desenvolver um verdadeiro sistema de informação e avaliação do ensino.


O CENÁRIO

O sistema educativo é mantido com o dinheiro dos contribuintes. O mínimo que se espera dele, portanto, é que a cada ano possa fazer mais e melhor com menos.
Eficiência e eficácia não se esgotam em termos de recursos financeiros. Sempre que um aluno repete um ano ou abandona a escola o sistema educativo está a ser pouco eficiente e pouco eficaz. Não apenas por que está a desperdiçar o dinheiro dos contribuintes, embora o esteja de fato, mas também porque está a provocar graves prejuízos na vida de uma jovem.
Assim, um sistema que funciona dando o seu melhor é importante porque consome menos recursos mas também porque serve os interesses doscidadão que dele beneficiam.
 

PROPOSTAS

1) Até 2020, a Secretaria Regional da Educação e todas as escolas da região com certificação ISO nas áreas da qualidade e da segurança.

2) Ter em cada instituição de ensino ao menos um docente com formação especializada na área da qualidade.

3) Criação, na Universidade dos Açores, de um Observatório da Educação e Formação, a funcionar de forma totalmente independente da Secretaria Regional da Educação, com o objetivo de desenvolver um verdadeiro sistema de informação e avaliação do ensino, encarado como uma tarefa indispensável à melhoria do sistema.

4) Divulgação pública de todos os dados recolhidos e tratados pelo Observatório da Educação e Formação.

5) Fortalecer as ações de avaliação, regulação e supervisão, dando ênfase mais aos seus aspetos pedagógicos do que meramente inspetivos.

6) Criar um fórum anual da qualidade em educação, onde as instituições de ensino possam divulgar as suas boas práticas e debater os seus problemas comuns.

7) Instituir, em colaboração com a Universidade dos Açores, uma pós-graduação em gestão escolar.

8) Criar o prémio anual Escola Inovadora.

META 9 - GARANTIR A EFETIVA PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE

OBJETIVO
Até 2014, dentro do quadro legal e institucional existente, estabelecer um plano de efetiva abertura do sistema educativo à sociedade civil. 

O CENÁRIO

A participação dos encarregados de educação e outros membros da comunidade nas decisões da escola permite uma saudável troca de sinergias e reflete-se positivamente nos resultados escolares.
A prática atual caracteriza-se por uma participação predominantemente formal, onde a comunidade está presente em algumas reuniões e efemérides e pouco mais.
Uma boa notícia é que mudar este cenário não exige mais dinheiro nem grandes reformulações legais. O sistema legal de gestão, seja o atualmente em vigor, seja o que está em discussão, tem margem suficiente para uma ampla participação comunitária, precisa é ser colocado em prática. Ou seja, a tutela dispõe de todos os instrumentos para promover uma gestão partilhada e participativa não só das escolas, mas do sistema de ensino como um todo. Temos que deixar a sociedade civil entrar.


PROPOSTAS

1) Apoiar, de forma sustentada, a participação da sociedade civil não apenas na gestão escolar, mas na própra definição das políticas do sistema educativo.

2) Promover, a exemplo do que ocorre nos hospitais, um programa de voluntariado escolar.

3) Garantir que 25% dos gastos com aquisição de consumíveis e serviços seja contratado junto de fornecedores da ilha onde se encontra situada a escola.

4) Garantir que 50% dos gastos com aquisição de consumíveis e serviços seja contratado junto de fornecedores dos Açores.

5) Criar na Internet o Portal da Transparência, onde todas as informações relativas ao sistema educativo serão publicadas, independentemente do seu teor: pedagógica, financeira, …

META 8 - DIGNIFICAR A CARREIRA DOCENTE

OBJETIVO
Até 2014, criar um plano regional de formação e valorização do corpo docente.

O CENÁRIO

Aqui não é necessário muita argumentação, bastando uma constatação: o professor é a chave do sucesso escolar.

PROPOSTAS

1) Implementar, até ao final de 2014, um plano regional de formação e valorização do corpo docente.

2) Garantir que todos os professores, independentemente da sua ilha, possam candidatar-se a cursos de pós-graduação nas suas áreas de atuação, por forma a que, paulatinamente, esta seja generalizada como o nível de ensino médio do corpo docente regional.

3) Realizar, em regime de colaboração com os sindicatos, um plano estratégico para a formação contínua e fomentar a respetiva oferta por parte da Universidade dos Açores.

4) Criar um portal web para subsidiar os professores na preparação de aulas, disponibilizando gratuitamente um amplo acervo de material didático.

5) Criar um prémio anual destinado aos professores que se destaquem na sua área de atuação.

META 7 - AUMENTAR GLOBALMENTE O NÍVEL MÉDIO DE ESCOLARIDADE DA POPULAÇÃO

OBJETIVO

Até 2020, aumentar em 50% a percentagem da população ativa com o 3.º ciclo de escolaridade completo.
Até 2020, aumentar em 30% a percentagem da população ativa com o secundário e o pós-secundário completo.
Até 2020, aumentar em 15% a percentagem da população ativa com o ensino superior completo. 

O CENÁRIO

Os números não mentem e dispensam longos comentários.


 
Percentagem da população empregada por nível de escolaridade mais elevado completo, 4.º trimestre de 2010.

Instituto Nacional de Estatística


Evolução do nível de escolaridade mais elevado completo da população média empregada para o período 2000/2010:

Instituto Nacional de Estatística
 

Ou seja, a população empregada açoriana apresenta níveis de qualificação muito baixo e, face ao resto do país, a sua evolução faz-se a um ritmo brando e insuficiente para sustentar qualquer projeto de desenvolvimento económico digno desse nome. A manter-se o cenário atual, se Portugal quiser de facto ter uma economia do conhecimento, como previsto na Estratégia de Lisboa, terá de o ser sem os açores.
 
A importância do nível de ensino é facilmente constatável quando observamos as habilitações escolares dos desempregados:
 
Desemprego registado por escolaridade, Região Autónoma dos Açores, mês de Junho, 2008 a 2012
IEFP, Mercado de Emprego, Estatísticas mensais
 
PROPOSTAS
1) Ampliar, em todos os concelhos, a oferta de cursos em horário pós-laboral.
2) Implementar programas de educação de jovens e adultos que estejam fora da escola e que tenham baixo nível de escolaridade.
3) Estabelecer em todas as ilhas serviços de reconhecimento e certificação de competências.
4) Garantir que os utentes das agências para a qualificação e o emprego, durante o período que durar a sua inatividade, estarão a frequentar ações que permitam o aumento das suas qualificações educacionais e profissionais.
5) Desenvolver uma ampla campanha ao nível dos órgãos da comunicação social a apelar ao retorno a escola de todos aqueles que desejarem aumentar as suas qualificações.
6) Estabelecer com a Universidade dos Açores um protocolo para o desenvolvimento de uma pós-graduação voltada para a educação de adultos.
 

 

META 6 - AUMENTAR A OFERTA DE CURSOS DE NÍVEL PÓS-SECUNDÁRIO E SUPERIOR

OBJETIVO

Até 2020, é necessário aumentar em 50% o número de pessoas a frequentar cursos de especialização tecnológica (CET) e licenciaturas.
 
O CENÁRIO

Se quisermos ser uma região verdadeiramente competitiva, temos que tomar consciência de que a especialização é fundamental.
Presentemente os cursos de especialização tecnológica (CET) estão concentrados em poucas instituições (Universidade dos Açores e Escola das Novas Tecnologias dos Açores) e apenas em três ilhas: S. Miguel, Terceira e Faial.
O nível de especialização que o mercado de trabalho observa presentemente deve ser acompanhado de uma especialização homóloga dos trabalhadores nele inseridos.
Nesse sentido, a percentagem da população açoriana detentora ou a frequentar cursos de nível V ou superior é manifestamente insuficiente para as nossas necessidades presentes e futuras.
Os números abaixo demonstram que estamos a ficar atrás do Continente Português e da madeira no que respeita à percentagem da população com o ensino superior.
 
Instituto Nacional de estatística
 
PROPOSTAS
1) Aumentar a oferta de cursos de especialização tecnológica de nível V, em horário laboral e pós-laboral.
2) Generalizar entre os jovens que concluem um curso de nível IV a frequência de um curso de nível V.
3) Implementar o ensino politécnico na Universidade dos Açores, em horário diurno e noturno.
4) Promover a ampliação da oferta de vagas no ensino superior, tendo por base uma forte articulação entre a Universidade dos Açores e o tecido económico regional.

META 5 - AUMENTAR A OFERTA DE CURSOS PROFISSIONAIS DE DUPLA CERTIFICAÇÃO

OBJETIVO

Até 2020, é necessário aumentar em 100% oferta de cursos de dupla certificação. 

O CENÁRIO

Os cursos profissionais de dupla certificação, de nível II e IV necessitam ser, a exemplo dos demais países europeu, a regra e não a exceção. Todos os jovens que não perspetivam seguir o ensino universitário devem ter nesse percurso escolar a saída para o seu futuro profissional.
A formação profissional é estratégica não apenas porque regista níveis de sucesso muito superiores aos do ensino regular, mas também porque garante ao setor produtivo regional uma mão-de-obra qualificada e necessária ao desenvolvimento e competitividade das empresas.
Os Açores destacam-se do resto do país no quesito formação profissional, com um número de alunos no ensino profissional de nível secundário superior à média nacional.

Instituto Nacional de Estatística


É preciso referir, no entanto, que o nosso ritmo está não apenas a abrandar, mas mesmo a diminuir, enquanto o continente português e a Região Autónoma da Madeira estão em plena aceleração. No período 2005/2008, enquanto nos Açores a taxa de participação em cursos profissionais de nível secundário diminuiu 1 ponto percentual. No mesmo período, no Continente, aumentou 10 pontos percentuais.

Instituto Nacional de Estatística


PROPOSTAS

1) Aumentar a oferta de cursos de dupla certificação ao nível do 3.º ciclo e ensino secundário, em horário laboral e pós-laboral.

2) Implementar um programa regional de reestruturação de espaços e a aquisição de equipamentos destinados à formação profissional, quer nas escolas do ensino regular, quer nas escolas profissionais privadas.

3) Promover a produção de material didático específico e a formação contínua de professores voltada para a formação de jovens e adultos integrados na formação profissional.

4) Promover a expansão da oferta de formação profissional na modalidade de educação a distância.

META 4 - TODOS OS ALUNOS COM NÍVEL DE APRENDIZAGEM ADEQUADO AO NÍVEL DE ENSINO FREQUENTADO

OBJETIVO

Até 2020, 80% ou mais dos alunos terão aprendido o que é essencial para o seu grau de ensino.

O CENÁRIO

Estar a frequentar o nível escolar correspondente à sua idade só faz sentido se houver um correspondente nível de aprendizagem.

Para combater o insucesso escolar a política seguida em todo o país utiliza aquilo que podemos designar de estratégia de degradação e desgaste.

Na parte da degradação, o que temos é uma alternativa pedagógica que, ao invés de lutar para que a aprendizagem se concretize, prefere baixar o nível de exigência ao mínimo dos mínimos. Ou seja, a real aquisição de conhecimentos e competências é substituída por metas progressivamente revistas, sempre para baixo, escondidas em nomes como currículos alternativos ou currículos individualizados. É como se o sistema de ensino desistisse de ensinar uma determinada criança e assumisse que ela não tem capacidade de aprender. O resultado são guetos, de onde os alunos que têm o infortúnio de lá cair nunca mais saem. Não saem e não aprendem.

Somada a essa degradação das expetativas de ensino, o sistema educativo, ao invés de promover medidas que permitam de facto o apoio aos alunos com dificuldades, aplica uma verdadeira política de desgaste, aumentando a carga burocrática dos professores.

Se neste último aspeto é forçoso reconhecer que nos Açores têm sido dados passos decisivos para diminuir a burocracia a cargo dos docentes, falta o segundo passo, justamente o mais importante: menos relatório mas mais ensino.

Um currículo padrão, com objetivos bem definidos a serem atingidos ao longo de um determinado ciclo escolar, é essencial para que todos os alunos estejam expostos a um repertório comum de conhecimento.

PROPOSTAS

1) Extinguir os programas escolares baseados em currículos reduzidos.

2) Estabelecer, para cada ciclo educativo/formativo, a padronização dos currículos, a serem cumpridos por todos os alunos.

3) Apoiar as instituições de ensino/formação no desenvolvimento e aplicação de alternativas pedagógicas adaptadas às suas reais necessidades.

4) Participar nos instrumentos de avaliação nacionais e internacionais (PISA) que permitam medir a qualidade das aprendizagens.

5) Estabelecer, para cada estabelecimento de ensino, metas a serem alcançadas nesses momentos de avaliação.

6) Tornar públicos os resultados obtidos, confrontá-los com as metas estabelecidas e, se necessário, gerar um amplo debate sobre as disparidades registadas.

7) Estabelecer com a Universidade dos Açores um protocolo que permita ter um quadro do real nível de aprendizagem dos alunos açorianos.

META 3 - TODOS OS ALUNOS A FREQUENTAR O NÍVEL DE ENSINO ADEQUADO À SUA IDADE

OBJETIVO

Até 2020, 80% ou mais dos alunos devera estar a frequentar o ano escolar correspondente à sua idade.
 
O CENÁRIO

Garantir que as crianças e os jovens estão na escola é só o primeiro passo, mas este só adquiri uma dimensão superior se os alunos estiverem a frequentar o nível de ensino correspondente à sua idade, o que significa combater o insucesso escolar. O nosso lema é NINGUÉM FICA PARA TRÁS.
O sucesso escolar generalizado é um dos maiores desafios do sistema de ensino açoriano. Um indicador pouco utilizado na análise dos números da educação é a taxa bruta de escolarização, ou seja, a proporção da população residente que está a frequentar um grau de ensino, relativamente ao total da população residente do grupo etário correspondente às idades normais de frequência desse grau de ensino (Instituto Nacional de Estatística).
Como o indicador numérico aqui é a matrícula total, independentemente da idade, uma taxa tanto pode ser o resultado de fatores positivos como negativos. Uma taxa elevada no 1.º ciclo, por exemplo, pode ser a consequência de um real aumento da cobertura escolar, o que seria um fator positivo, mas também resultar de um elevado número de alunos que se encontram fora da idade adequada para um determinado nível de ensino, devido à entrada tardia na escola ou a sucessivas retenções, o que é um aspeto negativo.
Relativamente ao ensino básico, a taxa bruta de escolarização entre 2004 e 2008 ultrapassou sempre os 100%. Essa percentagem indica que, em 2008, existia 10,4% de crianças a frequentar o ensino básico fora da faixa etária adequada ao mesmo. Esses números revelam, portanto, um quadro de ineficiência do sistema e indicam que os aspetos negativos são aqui preponderantes, ainda que com tendência para diminuir.
 
                                                                        Instituto Nacional de Estatística

Já no ensino secundário a taxa revela uma evolução positiva, embora moderada. Tal moderação deve-se a dois fatores: o número de jovens que abandonam o sistema de ensino quando completam 16 anos e as altas taxas registadas no ensino básico. Em conjunto, esses dois fatores condicionam fortemente o crescimento do secundário.
 
Instituto Nacional de Estatística
 
Tais conclusões podem ser corroboradas pela análise de dois outros dados: a taxa de retenção e desistência no ensino básico e a taxa de escolaridade do secundário. No primeiro caso, verificamos que, ao contrário do resto do país, a retenção e a desistência no ensino básico nos Açores têm aumentado ao invés de diminuir.


Instituto Nacional de Estatística
 
Não é de estanhar, portanto, que, comparativamente ao continente português e à Região Autónoma da Madeira, a nossa taxa de escolarização de nível secundário cresça tão lentamente. Na primeira década do século XXI ela aumentou 9,1 pontos percentuais, enquanto que no Continente e na Madeira o crescimento foi de 12 e 13,7 pontos percentuais respetivamente.
A esse ritmo, iremos levar cerca de 60 anos a ter taxas de escolaridade de nível secundário semelhantes ao do resto da Europa, partindo do princípio irreal de que os demais países europeu vão ficar parados a nossa espera. 
Face a este panorama, o que está a ser feito nesse momento não só é pouco como parte de princípios no mínimo equivocados. O Programa Oportunidade é bem o exemplo de medidas de combate ao insucesso escolar que pecam por serem tardias. Segunda a própria página da Internet da Secretaria Regional da Educação, o Programa Oportunidade destina-se “a alunos que estão num percurso de elevado insucesso e com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos de idade e frequentam o ensino básico.” Assim, o Oportunidade I tem por público-alvo “Alunos que não atingiram as competências essenciais para aprovação no 1.º ciclo e perfazem 11 anos até ao início do ano escolar seguinte.” Ora, essa medida não deveria ser necessária, simplesmente porque não deveriam existir alunos de 11 anos com o 1.º ciclo por concluir. O papel da Secretaria Regional da Educação não é resolver esse tipo de situação, é evitar que ela ocorra. Criar um programa com essas características é assumir que o nosso sistema de educação produz esse tipo de insucesso e que não há como evitá-lo. Ao contrário, a existência de jovens com 11 anos sem o 1.º ciclo só pode ser encarada como uma grande anomalia por toda a comunidade escolar. Atualmente, infelizmente, não o é. Segundo as Estatísticas da Educação (2009/2010), estavam matriculados no Oportunidades 1.937 alunos em todos os Açores. O número de alunos matriculados deveria ser 0, menos do que isso é uma vergonha para todos nós enquanto sociedade.
Mas não necessitamos realmente das estatísticas para nos apercebermos da real dimensão da questão do sucesso escolar. Não são poucos os encarregados de educação que, por vazes com grande sacrifício, necessitam recorrer a explicadores para os menores sob a sua responsabilidade. As explicações particulares são bem um sintoma das falhas no nossos sistema de ensino. É imperioso que as crianças e os jovens encontrem todo o apoio que necessitam dentro da escola, não tendo que ser necessário recorrer a serviços particulares de explicação para esse fim.
Se o panorama é o que é, a boa notícia é que as soluções existem e nem são tão caras como isso. Duas medidas simples, de custo reduzido e com forte impacto no sucesso escolar são:
- Aumentar o tempo de permanência dos alunos na escola;
- Garantir uma oferta de atividades extracurriculares de qualidade.
O tempo que um aluno permanece na escola é reconhecido, pela literatura especializada, como tendo resultados positivos diretos e indiretos na aprendizagem. Desde que o sistema educativo esteja preparado para garantir que esse tempo suplementar seja um tempo de qualidade, este período tanto pode permitir que os alunos desenvolvam as suas aptidões (línguas, desporto, artes, …), como colmatem as dificuldades vividas no período normal das aulas.
A existência de crianças e jovens a frequentar anos escolares que não correspondam às suas idades deve ser encarado como uma anomalia e um problema que necessita do esforço conjunto da comunidade escolar para ser resolvido.
PROPOSTAS
1) Identificar, em todas as escolas, quem são os alunos que se encontram fora do nível escolar correspondente à sua idade.
2) Desenvolver de forma generalizada programas de correção de fluxo escolar, quer através do acompanhamento individualizado, quer por meio de práticas como aulas de reforço e períodos de recuperação, por forma a reposicionar os alunos no nível escolar compatível com a sua idade.
3) Garantir que todos os alunos com dificuldades numa dada disciplina beneficiem de apoio para superar essas mesmas dificuldades.
4) Promover uma educação inclusiva, estabelecendo uma sólida e duradoura relação entre o ensino regular e o atendimento educativo especializado, com pessoal especializado e espaços físicos dotados dos recursos necessários.
5) Dotar todos os estabelecimentos de ensino de acesso à Internet de banda larga e promover a utilização pedagógica das novas tecnologias.
6) Ampliar o período diário escolar, de segunda a sexta-feira, até às 17:00 horas, por forma a que, depois das aulas, as crianças e os jovens possam participar de atividades que permitam desenvolver as suas aptidões específicas e colmatar as suas dificuldades.
7) Oferecer, aos sábados pela manhã e nos períodos de interrupção letiva, atividades que permitam aos alunos desenvolver as suas aptidões específicas e colmatar as suas dificuldades.
8) Promover e apoiar a oferta de atividades voltadas à ampliação da jornada escolar dos alunos por parte das IPSS.
9) Oferecer a todos os alunos um lanche no período da tarde.
10) Estabelecer protocolos com a Universidade dos Açores para a oferta de cursos de Pós-Graduação visando a especialização de docentes na temática do insucesso escolar.


META 2 - TODA CRIANÇA E JOVEM, DOS 5 AOS 17 ANOS, NA ESCOLA

OBJETIVO

Até 2020, 100% das crianças e jovens entre 5 e 17 anos deve estar efetivamente a frequentar algum percurso de ensino/formação.

 
O CENÁRIO

O acesso à educação é um direito básico de cidadania. O lugar das nossas crianças e jovens é na escola, qualquer outra alternativa não é aceitável.

 Abandono escolar

Saída do sistema de ensino antes da conclusão da escolaridade obrigatória, dentro dos limites etários previstos na lei. (Instituto Nacional de Estatística)

Presentemente não existem dados fiáveis sobre o número de crianças e jovens em idade escolar que se encontram fora da escola. A Secretaria Regional da Educação pode, no máximo, garantir que existem vagas disponíveis para todos que procurem a escola. É isso que significa os 100% da taxa de cobertura escolar presentes nas estatísticas educacionais, o que é um dado muito positivo. Mas se é uma boa notícia saber que existem escolas para todos, tal não é suficiente. É preciso garantir que as crianças e os jovens estão realmente matriculados.

A realidade é que apenas as famílias beneficiárias de subsídios sociais tem, de certa forma, monitorizada a frequência escolar dos seus filhos, fruto das contrapartidas exigidas pela receção desses mesmos subsídios. Excetuando essa situação, a não frequência escolar é quase impossível de ser detetada ou sancionada. 

PROPOSTAS 

1) Garantir vagas públicas no sistema de ensino e formação a todas as crianças e jovens em idade de o frequentar.

2) Expandir a oferta de vagas no pré-escolar.

3) Criar uma base de dados que permita acompanhar e monitorizar individualmente o acesso e a permanência em estabelecimentos de ensino e formação de todas as crianças e jovens em idade escolar.

4) Identificar situações de abandono ou baixa frequência, diagnosticar as suas causas e implementar medidas de correção.

5) Promover a identificação de crianças e jovens fora da escola, em parceria com os serviços sociais.

6) Desenvolver políticas de prevenção e combate à evasão motivada por preconceito e discriminação ou práticas de violência física ou psicológica.

7) Implementar uma efetiva política de atendimento educacional especializado complementar, seja qual for o tipo de deficiência ou o seu grau.

8) Implantar espaços de recursos multifuncionais e fomentar a formação de professores para o atendimento educacional especializado complementar.

9) Ampliar e aprofundar ações de atendimento, em todas as etapas da educação, por meio de programas que garantam material didático, transporte, alimentação (incluindo pequeno-almoço e lanche da tarde).

10) Desenvolver políticas de inclusão dirigida a adolescentes que se encontram em regime de liberdade assistida ou em situação de rua.

META 1 - ACABAR COM O ANALFABETISMO NOS AÇORES

OBJETIVOS:

Até 2016, 80% e até 2020, 100% das crianças devera apresentar as competências de leitura e escrita exigidas no final do 1.º ciclo.

Até 2020 não deverão existir cidadãos açorianos sem as competências básicas de leitura e escrita.

 

O CENÁRIO

 

Uma região europeia, no século XXI, não pode aceitar conviver com taxas de analfabetismo.

 
Analfabeto

Indivíduo com 10 ou mais anos que não sabe ler nem escrever, i.e., incapaz de ler e compreender uma frase escrita ou de escrever uma frase completa. (Instituto Nacional de Estatística)



Analfabetismo funcional

(…) “a incapacidade para dominar as competências e os meios necessários à inserção profissional, à vida social e familiar e à participação ativa na vida da sociedade e, isso, não obstante os saberes culturais herdados da tradição e da experiência”.

(UNESCO, Quarta Conferência Internacional da UNESCO sobre a Educação de Adultos - Recomendações, Lisboa, Ministério da educação e Cultura, Direcção-Geral da educação de Adultos, Pensar Educação Nº 14, 1986, p. 45)

 

A boa notícia é que, nos últimos anos, houve uma quebra significativa na taxa de analfabetismo nos Açores. Eram 9,98% da população no censo de 1991, 9,45% no de 2001 e o de 2012 trouxe-nos a grata surpresa de uma taxa de 5,23%. Foi mesmo o maior recuo na taxa de analfabetismo do país. Desconheço trabalhos científicos que expliquem o que fizemos bem para obter tão bons resultados, mas se não existem são urgentes.

É certo que 5,23% de analfabetos pode parecer pouco, algo quase residual, mas se compararmos a nossa situação com os restantes países europeu ficamos com uma melhor noção do que esse número realmente significa:

 

Estados-Membros da UE e taxa de analfabetismo


Áustria (0,5%)

Bélgica (1%)

Bulgária (1,7%)

Chipre (2,3%)

República Checa (1%)

Dinamarca (1%)

Estónia (0,2%)

Finlândia (1%)

França (1%)

Alemanha (1%)

Grécia (2,9%)

Hungria (1,1%)

Irlanda (1%)

Itália (1,1%)

Letónia (0,2%)

Lituânia (1,3%)

Luxemburgo (1%)

Malta (7,6%)

Países Baixos (1%)

Polónia (0,7%)

Portugal (5,0%)

Roménia (2,4%)

Eslováquia (1%)

Eslovénia (0,3%)

Espanha (2,1%)

Suécia (1%)

Reino Unido (1%)

Aqui não podemos ser condescendentes: a nossa meta tem que ser 0% de analfabetos. 

PROPOSTAS

1) Nenhuma criança pode concluir o 1.º ciclo sem as competências de leitura e escrita exigidas. Salvo motivos de ordem médica, não há nenhuma razão para que tal não aconteça.

2) Universalizar, em termos territoriais e horários e de forma gratuita, a oferta de percursos educativos a todos os que não concluíram o 1.º ciclo na idade adequada. Todos os concelhos deverão ter instituições de ensino a oferecer este tipo de ensino.

3) Garantir que todos os cidadão abrangidos pela medida anterior tenham acesso aos níveis seguintes de ensino.

4) Promover regularmente campanhas públicas incentivando a inscrição em cursos de alfabetização.

5) Encomendar à Universidade dos Açores um estudo que permita aferir o real grau de literacia da população açoriana com idade superior a 18 anos.

6) Garantir que todos os utentes inscritos nas Agências para a Qualificação e  Emprego sem a 4:ª classe sejam encaminhados, no máximo em 30 dias, para cursos de alfabetização.