Até 2016, 80% e até 2020, 100% das
crianças devera apresentar as competências de leitura e escrita exigidas no
final do 1.º ciclo.
Até 2020 não deverão existir cidadãos
açorianos sem as competências básicas de leitura e escrita.
O CENÁRIO
Uma região europeia, no século XXI, não
pode aceitar conviver com taxas de analfabetismo.
Analfabeto
Indivíduo com 10 ou mais anos que não
sabe ler nem escrever, i.e., incapaz de ler e compreender uma frase escrita ou
de escrever uma frase completa. (Instituto Nacional de Estatística)
Analfabetismo funcional
(…) “a incapacidade para dominar as
competências e os meios necessários à inserção profissional, à vida social e
familiar e à participação ativa na vida da sociedade e, isso, não obstante os
saberes culturais herdados da tradição e da experiência”.
(UNESCO, Quarta Conferência
Internacional da UNESCO sobre a Educação de Adultos - Recomendações, Lisboa,
Ministério da educação e Cultura, Direcção-Geral da educação de Adultos, Pensar
Educação Nº 14, 1986, p. 45)
A boa notícia é que, nos últimos anos,
houve uma quebra significativa na taxa de analfabetismo nos Açores. Eram 9,98%
da população no censo de 1991, 9,45% no de 2001 e o de 2012 trouxe-nos a grata
surpresa de uma taxa de 5,23%. Foi mesmo o maior recuo na taxa de analfabetismo
do país. Desconheço trabalhos científicos que expliquem o que fizemos bem para
obter tão bons resultados, mas se não existem são urgentes.
É certo que 5,23% de analfabetos pode
parecer pouco, algo quase residual, mas se compararmos a nossa situação com os
restantes países europeu ficamos com uma melhor noção do que esse número
realmente significa:
Estados-Membros da UE e taxa de
analfabetismo
Áustria (0,5%)
Bélgica (1%)
Bulgária (1,7%)
Chipre (2,3%)
República Checa (1%)
Dinamarca (1%)
Estónia (0,2%)
Finlândia (1%)
França (1%)
Alemanha (1%)
Grécia (2,9%)
Hungria (1,1%)
Irlanda (1%)
Itália (1,1%)
Letónia (0,2%)
Lituânia (1,3%)
Luxemburgo (1%)
Malta (7,6%)
Países Baixos (1%)
Polónia (0,7%)
Portugal (5,0%)
Roménia (2,4%)
Eslováquia (1%)
Eslovénia (0,3%)
Espanha (2,1%)
Suécia (1%)
Reino Unido (1%)
Aqui não podemos ser condescendentes: a
nossa meta tem que ser 0% de analfabetos.
PROPOSTAS
1) Nenhuma criança pode concluir o 1.º
ciclo sem as competências de leitura e escrita exigidas. Salvo motivos de ordem
médica, não há nenhuma razão para que tal não aconteça.
2) Universalizar, em termos territoriais
e horários e de forma gratuita, a oferta de percursos educativos a todos os que
não concluíram o 1.º ciclo na idade adequada. Todos os concelhos deverão ter
instituições de ensino a oferecer este tipo de ensino.
3) Garantir que todos os cidadão
abrangidos pela medida anterior tenham acesso aos níveis seguintes de ensino.
4) Promover regularmente campanhas
públicas incentivando a inscrição em cursos de alfabetização.
5) Encomendar à Universidade dos Açores
um estudo que permita aferir o real grau de literacia da população açoriana com
idade superior a 18 anos.
6) Garantir que todos os utentes
inscritos nas Agências para a Qualificação e
Emprego sem a 4:ª classe sejam encaminhados, no máximo em 30 dias, para
cursos de alfabetização.
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