sábado, 27 de abril de 2013

META 3 - TODOS OS ALUNOS A FREQUENTAR O NÍVEL DE ENSINO ADEQUADO À SUA IDADE

OBJETIVO

Até 2020, 80% ou mais dos alunos devera estar a frequentar o ano escolar correspondente à sua idade.
 
O CENÁRIO

Garantir que as crianças e os jovens estão na escola é só o primeiro passo, mas este só adquiri uma dimensão superior se os alunos estiverem a frequentar o nível de ensino correspondente à sua idade, o que significa combater o insucesso escolar. O nosso lema é NINGUÉM FICA PARA TRÁS.
O sucesso escolar generalizado é um dos maiores desafios do sistema de ensino açoriano. Um indicador pouco utilizado na análise dos números da educação é a taxa bruta de escolarização, ou seja, a proporção da população residente que está a frequentar um grau de ensino, relativamente ao total da população residente do grupo etário correspondente às idades normais de frequência desse grau de ensino (Instituto Nacional de Estatística).
Como o indicador numérico aqui é a matrícula total, independentemente da idade, uma taxa tanto pode ser o resultado de fatores positivos como negativos. Uma taxa elevada no 1.º ciclo, por exemplo, pode ser a consequência de um real aumento da cobertura escolar, o que seria um fator positivo, mas também resultar de um elevado número de alunos que se encontram fora da idade adequada para um determinado nível de ensino, devido à entrada tardia na escola ou a sucessivas retenções, o que é um aspeto negativo.
Relativamente ao ensino básico, a taxa bruta de escolarização entre 2004 e 2008 ultrapassou sempre os 100%. Essa percentagem indica que, em 2008, existia 10,4% de crianças a frequentar o ensino básico fora da faixa etária adequada ao mesmo. Esses números revelam, portanto, um quadro de ineficiência do sistema e indicam que os aspetos negativos são aqui preponderantes, ainda que com tendência para diminuir.
 
                                                                        Instituto Nacional de Estatística

Já no ensino secundário a taxa revela uma evolução positiva, embora moderada. Tal moderação deve-se a dois fatores: o número de jovens que abandonam o sistema de ensino quando completam 16 anos e as altas taxas registadas no ensino básico. Em conjunto, esses dois fatores condicionam fortemente o crescimento do secundário.
 
Instituto Nacional de Estatística
 
Tais conclusões podem ser corroboradas pela análise de dois outros dados: a taxa de retenção e desistência no ensino básico e a taxa de escolaridade do secundário. No primeiro caso, verificamos que, ao contrário do resto do país, a retenção e a desistência no ensino básico nos Açores têm aumentado ao invés de diminuir.


Instituto Nacional de Estatística
 
Não é de estanhar, portanto, que, comparativamente ao continente português e à Região Autónoma da Madeira, a nossa taxa de escolarização de nível secundário cresça tão lentamente. Na primeira década do século XXI ela aumentou 9,1 pontos percentuais, enquanto que no Continente e na Madeira o crescimento foi de 12 e 13,7 pontos percentuais respetivamente.
A esse ritmo, iremos levar cerca de 60 anos a ter taxas de escolaridade de nível secundário semelhantes ao do resto da Europa, partindo do princípio irreal de que os demais países europeu vão ficar parados a nossa espera. 
Face a este panorama, o que está a ser feito nesse momento não só é pouco como parte de princípios no mínimo equivocados. O Programa Oportunidade é bem o exemplo de medidas de combate ao insucesso escolar que pecam por serem tardias. Segunda a própria página da Internet da Secretaria Regional da Educação, o Programa Oportunidade destina-se “a alunos que estão num percurso de elevado insucesso e com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos de idade e frequentam o ensino básico.” Assim, o Oportunidade I tem por público-alvo “Alunos que não atingiram as competências essenciais para aprovação no 1.º ciclo e perfazem 11 anos até ao início do ano escolar seguinte.” Ora, essa medida não deveria ser necessária, simplesmente porque não deveriam existir alunos de 11 anos com o 1.º ciclo por concluir. O papel da Secretaria Regional da Educação não é resolver esse tipo de situação, é evitar que ela ocorra. Criar um programa com essas características é assumir que o nosso sistema de educação produz esse tipo de insucesso e que não há como evitá-lo. Ao contrário, a existência de jovens com 11 anos sem o 1.º ciclo só pode ser encarada como uma grande anomalia por toda a comunidade escolar. Atualmente, infelizmente, não o é. Segundo as Estatísticas da Educação (2009/2010), estavam matriculados no Oportunidades 1.937 alunos em todos os Açores. O número de alunos matriculados deveria ser 0, menos do que isso é uma vergonha para todos nós enquanto sociedade.
Mas não necessitamos realmente das estatísticas para nos apercebermos da real dimensão da questão do sucesso escolar. Não são poucos os encarregados de educação que, por vazes com grande sacrifício, necessitam recorrer a explicadores para os menores sob a sua responsabilidade. As explicações particulares são bem um sintoma das falhas no nossos sistema de ensino. É imperioso que as crianças e os jovens encontrem todo o apoio que necessitam dentro da escola, não tendo que ser necessário recorrer a serviços particulares de explicação para esse fim.
Se o panorama é o que é, a boa notícia é que as soluções existem e nem são tão caras como isso. Duas medidas simples, de custo reduzido e com forte impacto no sucesso escolar são:
- Aumentar o tempo de permanência dos alunos na escola;
- Garantir uma oferta de atividades extracurriculares de qualidade.
O tempo que um aluno permanece na escola é reconhecido, pela literatura especializada, como tendo resultados positivos diretos e indiretos na aprendizagem. Desde que o sistema educativo esteja preparado para garantir que esse tempo suplementar seja um tempo de qualidade, este período tanto pode permitir que os alunos desenvolvam as suas aptidões (línguas, desporto, artes, …), como colmatem as dificuldades vividas no período normal das aulas.
A existência de crianças e jovens a frequentar anos escolares que não correspondam às suas idades deve ser encarado como uma anomalia e um problema que necessita do esforço conjunto da comunidade escolar para ser resolvido.
PROPOSTAS
1) Identificar, em todas as escolas, quem são os alunos que se encontram fora do nível escolar correspondente à sua idade.
2) Desenvolver de forma generalizada programas de correção de fluxo escolar, quer através do acompanhamento individualizado, quer por meio de práticas como aulas de reforço e períodos de recuperação, por forma a reposicionar os alunos no nível escolar compatível com a sua idade.
3) Garantir que todos os alunos com dificuldades numa dada disciplina beneficiem de apoio para superar essas mesmas dificuldades.
4) Promover uma educação inclusiva, estabelecendo uma sólida e duradoura relação entre o ensino regular e o atendimento educativo especializado, com pessoal especializado e espaços físicos dotados dos recursos necessários.
5) Dotar todos os estabelecimentos de ensino de acesso à Internet de banda larga e promover a utilização pedagógica das novas tecnologias.
6) Ampliar o período diário escolar, de segunda a sexta-feira, até às 17:00 horas, por forma a que, depois das aulas, as crianças e os jovens possam participar de atividades que permitam desenvolver as suas aptidões específicas e colmatar as suas dificuldades.
7) Oferecer, aos sábados pela manhã e nos períodos de interrupção letiva, atividades que permitam aos alunos desenvolver as suas aptidões específicas e colmatar as suas dificuldades.
8) Promover e apoiar a oferta de atividades voltadas à ampliação da jornada escolar dos alunos por parte das IPSS.
9) Oferecer a todos os alunos um lanche no período da tarde.
10) Estabelecer protocolos com a Universidade dos Açores para a oferta de cursos de Pós-Graduação visando a especialização de docentes na temática do insucesso escolar.


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