Até 2020, 80% ou mais dos alunos terão
aprendido o que é essencial para o seu grau de ensino.
O CENÁRIO
Estar a frequentar o nível escolar
correspondente à sua idade só faz sentido se houver um correspondente nível de
aprendizagem.
Para combater o insucesso escolar a
política seguida em todo o país utiliza aquilo que podemos designar de
estratégia de degradação e desgaste.
Na parte da degradação, o que temos é
uma alternativa pedagógica que, ao invés de lutar para que a aprendizagem se
concretize, prefere baixar o nível de exigência ao mínimo dos mínimos. Ou seja,
a real aquisição de conhecimentos e competências é substituída por metas
progressivamente revistas, sempre para baixo, escondidas em nomes como
currículos alternativos ou currículos individualizados. É como se o sistema de
ensino desistisse de ensinar uma determinada criança e assumisse que ela não
tem capacidade de aprender. O resultado são guetos, de onde os alunos que têm o
infortúnio de lá cair nunca mais saem. Não saem e não aprendem.
Somada a essa degradação das expetativas
de ensino, o sistema educativo, ao invés de promover medidas que permitam de
facto o apoio aos alunos com dificuldades, aplica uma verdadeira política de
desgaste, aumentando a carga burocrática dos professores.
Se neste último aspeto é forçoso
reconhecer que nos Açores têm sido dados passos decisivos para diminuir a burocracia
a cargo dos docentes, falta o segundo passo, justamente o mais importante:
menos relatório mas mais ensino.
Um currículo padrão, com objetivos bem
definidos a serem atingidos ao longo de um determinado ciclo escolar, é
essencial para que todos os alunos estejam expostos a um repertório comum de
conhecimento.
PROPOSTAS
1) Extinguir os programas escolares
baseados em currículos reduzidos.
2) Estabelecer, para cada ciclo
educativo/formativo, a padronização dos currículos, a serem cumpridos por todos
os alunos.
3) Apoiar as instituições de
ensino/formação no desenvolvimento e aplicação de alternativas pedagógicas
adaptadas às suas reais necessidades.
4) Participar nos instrumentos de
avaliação nacionais e internacionais (PISA) que permitam medir a qualidade das
aprendizagens.
5) Estabelecer, para cada
estabelecimento de ensino, metas a serem alcançadas nesses momentos de
avaliação.
6) Tornar públicos os resultados
obtidos, confrontá-los com as metas estabelecidas e, se necessário, gerar um
amplo debate sobre as disparidades registadas.
7) Estabelecer com a Universidade dos
Açores um protocolo que permita ter um quadro do real nível de aprendizagem dos
alunos açorianos.
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