domingo, 31 de março de 2013

(Novas) Oportunidades perdidas


O atua Governo, mesmo antes de ser eleito, tinha alguns alvos bem precisos e que nunca deixo de explicitar. Um deles era o programa Novas Oportunidades, que Passos Coelho e Nuno Crato não se privaram de criticar contundentemente como sendo puro facilitismo a funcionar para as estatísticas. Sim, as mesmas pessoas que tinham o “Dr.” Miguel Relvas como colega de executivo. Sim, o mesmo Ministro da Educação a quem, segundo a imprensa, o relatório sobre a licenciatura de Miguel Relvas, elaborado pela Inspeção-geral da Educação e Ciência, foi entregue há dois meses.

Hoje os Centros Novos Oportunidades (CNO) encerram definitivamente e, no seu lugar, surgem os Centros para a Qualificação e o Ensino Profissional (CQEP), cuja Portaria foi publicada recentemente:

 (http://dre.pt/pdf1sdip/2013/03/06201/0000200010.pdf).


Algumas notas sobre esta nova criação:

- Os CQEP vão proporcionar “informação, orientação e encaminhamento”, o que os CNO já faziam, mas agora também aos “jovens com idade igual ou superior a 15 anos”. Dois problemas:
1 - Esta tarefa está a cargo dos Serviços de Psicologia e Orientação de cada escola. A Ordem dos Psicólogos Portugueses manifestou (no âmbito da discussão pública do projeto de portaria) a sua preocupação sobre esta sobreposição, defendendo a alteração da proposta de portaria, para que “os CQEP, que serão criados nas Escolas Básicas e Secundárias do Ensino Público, apenas tenham como público-alvo a população adulta e os SPO’s mantenham o atendimento a jovens”, tal como previsto no Decreto-Lei n.º 190/91, de 17 de Maio. A sugestão caiu em saco roto.
2 - Os CQEP ficam com mais uma responsabilidade, quando os técnicos a eles afetos serão em non-formal and informal learning. No novo processo os exames terão mesmo um peso superior ao do portefólio, sendo a memorização de conteúdos entendida como mais importante do que a aprendizagem real de um indivíduo. O “Dr.” Relvas deve estar a rebolar-se no chão de tanto rir.
Resultado: Vamos ter, assim, profissionais nos CQEP a efetuar a mesma tarefa que os psicólogos nas escolas. Profissionais com um vínculo laboral certamente precário e, por conseguinte, muito mais baratos do que os psicólogos escolares. Não será de admirar, num futuro próximo, que a abertura de vagas para a carreira de psicólogo escolar diminua drasticamente ou que acha mesmo alguma tentação de mobilidade ou disponibilidade.

- O rigor e a exigência não se ficam por aqui. O diploma de criação dos CQEP determina igualmente que o júri de certificação “não pode integrar os profissionais envolvidos no respetivo processo de RVCC, de modo a garantir uma avaliação externa rigorosa e independente”. Ótimo, ficamos a aguardar, por uma questão de coerência, que nas escolas não sejam os professores a avaliar os seus alunos, mas sim docentes externos ao processo.

- A introdução de provas escritas e de avaliações externas por meio de fórmulas e valores numéricos são uma clara tentativa de formalização e escolarização, simultânea a uma subalternização do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências.

- Os alunos estarão sujeitos a um exame, pois parece que nada como uma boa prova para provar competências adquiridas. Estão, assim, a escolarizar um processo de certificação como se isso o tornasse mais rigoroso. Qualquer recém-licenciado que tenha frequentado cadeiras pedagógicas sabe os limites que uma prova, oral ou escrita, encerra. A utilização de portefólios na avaliação de competências de adultos não é, de resto, uma criação portuguesa, basta ler o relatório do Cedefop sobre o tema: European Guidelines for validating

- Paralelamente à escolarização, os CQEP passam a ter como principal tarefa a informação e orientação dos jovens. Ou seja, perdem a sua especificidade original: desenvolvimento de processos de RVCC destinados a adultos. Muito provavelmente serão estruturas sobretudo administrativas e que se irão confundir com outros serviços já existentes. Quem sabe no futuro funcionem igualmente como postos de informação turística.
 
- No final de Janeiro existia um total de 55 mil formandos com processos de formação ou certificação de competências em aberto. Estes adultos terão agora de aguardar mais seis meses para prosseguir a sua formação ou os processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) nos novos centros. Como diz o povo: quem espera desespera.

- É criada uma nova “profissão”, a de técnico de orientação, reconhecimento e validação de competências. Onde antes existiam técnicos especializados, passa agora a existir um profissional com perfil polivalente, uma espécie de faz tudo. Este super-homem terá de:
1 - Inscrever os jovens e adultos no SIGO e informar sobre a atuação do CQEP;
2 - Promover sessões de orientação que permitam a cada jovem ou adulto identificar a resposta mais adequada às suas aptidões e motivações;
3 - Promover sessões de informação sobre ofertas de educação e formação, o mercado de emprego atual, saídas profissionais emergentes, prospeção das necessidades de formação, bem como oportunidades de mobilidade no espaço europeu e internacional no que respeita à formação e trabalho;
4 - Encaminhar jovens e adultos tendo em conta a informação sobre o mercado de emprego e as ofertas de educação e formação disponíveis nas entidades formadoras do respetivo território ou, no caso dos adultos, para processo de RVCC sempre que tal se mostrar adequado;
5 - Monitorizar o percurso dos jovens e dos adultos encaminhados pelo Centro até à conclusão do respetivo percurso de qualificação, e, quando aplicável, até à inserção no mercado de emprego;
6 - Desenvolver ações de divulgação e de informação, junto dos diferentes públicos que residem ou estudam no território, sobre o papel dos CQEP e as oportunidades de qualificação, designadamente a oferta de cursos de dupla certificação.
7 - Enquadrar os candidatos no processo de RVCC, escolar, profissional ou dupla certificação, de acordo com a sua experiência de vida e perfil de competências;
8 - Prestar informação relativa à metodologia adotada no processo de RVCC, às técnicas e instrumentos de demonstração utilizados e à certificação de competências, em função da vertente de intervenção;
9 - Acompanhar os adultos ao longo do processo de RVCC, através da dinamização das sessões de reconhecimento, do apoio na construção do portefólio e da aplicação de instrumentos de avaliação específicos, em articulação com os formadores e ou professores;
10 - Identificar as necessidades de formação dos adultos, em articulação com os formadores, professores e outros técnicos especializados no domínio da incapacidade e ou deficiência, podendo proceder, após certificação parcial, ao encaminhamento para ofertas conducentes à conclusão de uma qualificação.
11 - Proceder ao registo rigoroso no SIGO de todos os dados relativos à atividade em que intervém no CQEP.

Só faltou mesmo pedir para limpar as instalações.

- Por fim, fica a questão de saber como os cidadãos do país serão de facto atendidos. Prevê-se uma rede de 120 CQEP, quando chegaram a existir 422 CNO. Considerando que o público-alvo potencial é de 400 mil pessoas, basta fazer as contas para constatar que a estrutura ou é claramente insuficiente ou vai ter uma produtividade digna de qualquer stakanovista.

Nota: Quem não souber o que é stakanovista pode perguntar ao "Dr." Miguel Relvas, pois faz parte do programa de uma das cadeiras do curso dele.


terça-feira, 26 de março de 2013

FAZER MUITO COM MUITO POUCO - II

GROAÍRAS (CE) - A maioria dos alunos da 8ª série da escola Professora Júlia Elisa Farias, em Groaíras, sertão cearense, usa chinelo de dedo na sala de aula. Adolescentes, idade média de 14 anos, nenhum deles manuseia smartphones ou tablets. Alguns levam banana para completar a merenda que recebem no intervalo. É simples o prédio do colégio, fincado num bairro de periferia com ruas de pedra e barro, e cujo portão de acesso é trancado com arame enferrujado. Alguns alunos, para estudar ali, chegam de carona no lombo do cavalo. Há duas semanas, compenetrados, meninos e meninas estavam diante do primeiro simulado do ano. Interpretavam o texto que ilustrava uma das tirinhas da personagem argentina Mafalda, garota de humor ácido e raciocínio rápido. Mal percebiam a movimentação da equipe do GLOBO. Estavam atentos a perguntas e respostas em diferentes matérias, as quais testariam o quanto aprenderam nos últimos dias.
Tem sido essa a rotina nos últimos anos, quando a Secretaria municipal de Educação adotou a aplicação de simulados semanalmente. A prefeitura ainda colocou cuidadores em salas de aula — profissionais que dividem espaço com os professores para dar atenção especial a alunos com dificuldade de aprendizado —, criou turnos especiais para aulas de reforço e pregou um quadro colorido na sala dos professores que indica o grau de frequência e ausência dos alunos por turma.
Média de país desenvolvido
Resultado: as crianças de famílias simples ajudaram a colocar Groaíras no ranking das escolas com resultado surpreendente no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A nota da cidade foi 6,7, considerada uma média de países desenvolvidos (acima de 6,0). Assim como acontece em Sobral, segunda maior cidade cearense, que fica a 38 quilômetros de Groaíras, os alunos dessa cidade também estão amparados pelo Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic), implantado no estado em 2007. Após cinco anos de trabalho, os resultados começaram a aparecer. Em 2011, os municípios atingiram a média satisfatória de alfabetização.
Uma análise feita pelo Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica demonstrou que 81,5% dos estudantes do Ceará encontram-se alfabetizados ao término do segundo ano do ensino fundamental. Em 2007, esse percentual era de 40%. Com relação aos municípios cearenses, 178 atingiram médias de proficiência em nível desejável, seguidos de seis que estão em patamar “suficiente”.
O reflexo positivo tem sido percebido em boa parte dos municípios do Ceará. De 11 cidades nordestinas com boas notas no exame, nove estão no estado.
Com pouco mais de dez mil habitantes, cerca de dois mil jovens estão distribuídos nas seis escolas de Groaíras, em diferentes turnos. Desse total, 40% na zona rural. A cidade tem apenas 80 professores efetivos. Chama a atenção a aparente falta de estrutura nas unidades de ensino. As salas de aulas são simples, carteiras e cadeiras antigas e algumas janelas sem cortina ou persiana. Ao chegar de surpresa, no entanto, O GLOBO identificou quase todas as turmas em atividade. Além de simulados, vídeo de História do Brasil era apresentado aos alunos de uma das séries, assim como rodas de leitura e aulas de reforço em uma área anexa ao colégio.
— Nossa prioridade é focar nas necessidades do aluno. Este ano, vamos passar os simulados para cada 15 dias e, assim, poderemos ter mais tempo para fazer o diagnóstico individual dos alunos — diz a secretária municipal de Educação, Ana Paula Lima Azevedo, que assumiu o cargo no início do ano.
Dentro do projeto de personalizar o sistema de aprendizado, o primeiro passo foi dado. A secretaria já identificou 94 alunos com necessidade especial de aprendizado. São eles que se revezam em aulas de reforço e ganham atenção em salas improvisadas. José Cassiano Ximenes, de 12 anos, parecia brincar com jogos de encaixe. O garoto era auxiliado pela cuidadora Maria Antônia Paiva Souza, mãe de um menino com necessidades especiais, e,agora, responsável por tentar “acalmar” o garoto, considerado hiperativo e com déficit de atenção. Enquanto a professora dava aula de Português, Maria Antônia focava atenção no menino.
— É importante a gente prestar atenção na dificuldade de cada aluno. As crianças são muito diferentes umas das outras, e, muitas vezes, esse olho no olho é o que mais pode ajudar alguém com mais problema para aprender — diz Maria Antônia.
Também no sertão cearense, a cidade de Mucambo é outra que comemora bons resultados no Ideb. Com 15 mil habitantes, 3,1 mil alunos e 18 escolas, o município alcançou a nota 7,5 no ano passado. Resultado, segundo as autoridades locais, de um trabalho que vai além das salas de aula. Há anos, o município tem feito um trabalho porta a porta para tentar aproximar o máximo possível as famílias dos alunos da escola. Segundo a secretária municipal de Educação, Xarla Paulino Nepomuceno, os agentes de ensino são orientados a ter encontros semanais com as famílias dos estudantes, melhorando desse modo o diagnóstico individual.
— Assim, a gente fica sabendo o que pode estar, de fato, prejudicando o rendimento de um determinado aluno. Muitas vezes, ele não tem problema para aprender, mas tem uma situação doméstica que tira seu foco — diz Xarla.
Para melhorar esse trabalho, a prefeitura de Mucambo contratou duas psicopedagogas para acompanhar a relação entre a escola e os alunos, principalmente os matriculados do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. No caso de Mucambo, uma situação chama a atenção. O número de reprovados aumentou de 2011 para 2012, passando de 73 para 125 estudantes. A secretaria explica que não há o sistema de progressão continuada, como alguns estados adotaram.
— Os alunos não podem passar de um ano para o outro sem conhecimento. Se isso acontece, acabaríamos tendo alunos analfabetos na quinta série, por exemplo — diz Xarla.
Além de Mucambo e Groaíras, outros sete municípios cearenses tiveram boas notas no Ideb: Sobral (7,3), Itarema (6,9), Jijoca de Jericoacoara (6,9), Pedra Branca (6,6), Independência (6,4), Novo Oriente (6,4) e Milhã (6,0).


http://oglobo.globo.com/educacao/cidades-no-interior-cearense-obtem-resultados-exemplares-7934705

FAZER MUITO COM MUITO POUCO - I

GROAÍRAS (CE) - Desde que foi implantado, em 2007, o Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic), do governo do Ceará, focou não apenas no material levado às crianças da rede pública de ensino. Embora tenha distribuído agentes responsáveis pela gestão do conteúdo didático nos 184 municípios do estado, o programa reservou parte de seu orçamento para também prestigiar professores e as próprias escolas. Em 2012, dos R$ 70 milhões reservados pelo cofre público para o projeto, quase metade foi direcionada à bonificação de professores, reformas de unidades de ensino e compra de material de apoio.
Com base nos resultados da Prova Brasil, os 150 municípios com melhor desempenho ganharam o equivalente a R$ 2,5 mil por aluno. Até 25% dos recursos obtidos pelo Paic podem ser investidos em incentivos — pagamento de cursos, por exemplo — e gratificações diretas aos profissionais.
— Além de um incentivo ao professor, esses recursos ajudam a melhorar o ambiente escolar. Vai da compra de ar-condicionado à instalação de uma biblioteca — diz a secretária estadual de Educação, Izolda Cela, lembrando que a premiação depende de uma série de critérios adotados pela pasta. — Uma escola com boas notas tem que, necessariamente, adotar uma escola (com média) ruim. Essa cooperação é o que forma um conjunto de bons resultados em todo o estado — emenda.
Desde que foi adotado, o Paic tem sido a menina dos olhos das autoridades de ensino naquele estado. Há cinco anos, quando foi criado, apenas 14 municípios apresentavam média desejável na escala de proficiência. Hoje, 178 unidades alcançam as metas.
— Mesmo assim, a estrada é ainda longa para resolver problemas na educação, aqui e em todo o país — observa Izolda, lembrando que o programa está focado em cinco eixos fundamentais: educação infantil, gestão pedagógica da alfabetização, formação do leitor, gestão municipal de educação e avaliação externa.
Antes focado nos alunos do segundo ano do ensino fundamental, o projeto passou a destinar agentes para atuar junto aos alunos da rede pública até o 5º ano. A iniciativa cearense inspirou o projeto federal chamado de Pacto Nacional para Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), criado pelo Ministério da Educação.
Na escola Professora Júlia Elisa Farias, em Groaíras, os alunos contam com apoio dos programas nas esferas estadual e federal. Com isso, a atualização do conteúdo didático é reforçado por investimentos ainda maiores. A colocação de cuidadora em todas as salas de aula é um dos reflexos dessa parceria.
— É bom que sempre tem alguém para dar uma atenção maior, ? Assim não dá nem tempo pra ficar de converseiro — diz José Cassiano Ximenses, que teve a ajuda de uma cuidadora.
— Ele é esforçado, mas se distrai muito com as outras crianças e daí tem dificuldade de voltar a prestar atenção nas aulas. Meu papel aqui é justamente fazer com que ele e outras crianças consigam aumentar o grau de concentração — diz a cuidadora Maria Antônia Paiva Souza.
Desde que foi implantado o Pnaic, o governo federal já atingiu 4.997 cidades, o que representa 89,8% dos municípios do país. Segundo o MEC, até janeiro deste ano, outros 328 aderiram parcialmente, não concluíram o processo de adesão ou não se manifestaram. “Apenas oito optaram por não firmar o acordo que tem como objetivo assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental”, informou o órgão.
O Brasil tem 33 milhões de analfabetos funcionais, pessoas com menos de quatro anos de estudo, e 16 milhões de habitantes com mais de 15 anos ainda não alfabetizados, segundo o IBGE.
 
 

TROIKA, CORTES E EX-ESPIÃO


As duas notícias saíram no jornal I de hoje:


Se o Estado português quiser receber a próxima tranche de 2 mil milhões, terá que apresentar, até ao final de abril, um plano de cortes de despesa de 5,6 mil milhões. Aos 4 mil milhões, num período de forte contração económica, foram acrescentados mais qualquer coisinha. Ainda vamos querer morar em Chipre.


Em decreto, assinado pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, o ‘ex-espião’ Jorge Silva Carvalho – sim, este mesmo, o ex-quadro da Ongoing envolvido no caso das secretas,– recebeu de presente um posto de trabalho na Presidência do Conselho de Ministros. Mais, como diz o texto ele será integrado na carreira e categoria de técnico superior, em posição remuneratória automaticamente criada de montante pecuniário correspondente à remuneração base da carreira e categoria de origem, e com efeitos reportados à data da cessação de funções.

Eu não percebo nada de Economia e sou mesmo muito fraco em matemática, mas cá fica a minha modesta contribuição para o tal corte de 5,6 mil milhões: NÃO CONTRATAR O SR. JORGE SILVA CARVALHO.

domingo, 24 de março de 2013

NUNO CRATO, O ENVERGONHADO

O ministro da Educação, Nuno Crato, confirmou na passada sexta-feira que a mobilidade especial será aplicada aos professores já no próximo ano letivo.
Um resumo do que é a mobilidade especial: Um funcionário público na mobilidade especial tem o seu salário cortado para metade depois de dois meses neste regime e, ao fim de dois anos, pode ser despedido.
Um resumo do que são os indicadores educacionais portugueses comparados com os outros países da União Europeia: fundo da tabela.
A postura do Sr. Ministro perante os jornalistas foi de um indivíduo no mínimo envergonhado. Quem antes afirmara que a mobilidade especial não se aplicaria aos professores, agora recusa esclarecer se a decisão contou com o seu acordo. Mais, perante a insistência dos jornalistas, saiu-se com dois falsos argumentos, logo ele que é um homem das ciências exatas.
Primeiro, insistiu que o seu compromisso de que os professores não seriam abrangidos pela mobilidade especial só se aplicava ao presente ano letivo. Se era esse o caso, deveria ter feito a ressalva na altura da afirmação.
Depois, argumentou que perguntar se ele era contra ou a favor da medida “é o mesmo que me perguntarem se concordo com a chuva”. Não é Sr. Ministro. A chuva, como o Sr. bem sabe, é um fenómeno natural, a mobilidade não, é uma decisão do Governo ao qual o Sr. pertence.
Por fim, afirmou que “há coisas que me transcendem”. Errou outra vez. A chuva, de facto, transcende a todos nós. A mobilidade, por ser uma decisão governamental, não. Podemos concordar, podemos criticar, podemos ir para a rua gritar, podemos ignorar, podemos colocar qualquer coisinha no facebook, ou seja, não transcende ninguém.
A mobilidade e as ameaças de despedimentos de professores não são fenómenos nem naturais nem transcendentais, logo o Sr. Ministro da Educação não pode afirmar que não há nada a fazer. Muito pelo contrário, há, e as hipóteses são até bastante simples. Ou o Sr. Ministro concorda com a medida e a aplica, ou o Sr. Ministro não concorda e, coerentemente, pede a demissão. Enveredar por falsos argumentos científicos, é verdade, também é uma opção, mas não fica bem a quem tanto criticou o eduquês.  

JOSÉ SÓCRATES RUMO À ESTAÇÃO FINLÂNDIA

Em 16 de abril de 1917, Lenine, líder do Partido Bolchevique, desembarcou com 31 camaradas na Estação Finlândia, em São Petersburgo, para liderar a Revolução. Os viajantes haviam partido de Zurique, onde estavam exilados, passaram pela Alemanha e a Suécia, até chegarem em solo Russo.

Não se tratou de uma viagem clandestina. Em plena 1.ª Guerra Mundial, a Alemanha patrocinou e forneceu a logística necessária à toda a operação, incluindo o comboio em que foram transportados. Os Bolcheviques defendiam a não participação numa guerra que classificavam como imperialista, o que era vantajoso para uma Alemanha a lutar em duas frentes. De facto, logo ao chegar Lenine, a par das exigências de nacionalização dos bancos, terras e propriedades privadas, defendeu a extinção do exército, a ser substituído por milícias populares, e o fim da participação russa na grande guerra.
O resultado final todos nós conhecemos. Se a Alemanha tivesse enviado para a Rússia um comboio cheio de ratos infetados com a peste bubónica teria infligido menos mal ao país e ao mundo.

Parece que em abril José Sócrates desembarcará na RTP na qualidade de comentador. Quem acredita que a direção da RTP tomou esta decisão sem consulta e beneplácito prévio do Ministro Miguel Relvas acredita também que no dia 25 de dezembro é um Sr. Barbudo que deixa-lhe prendas no sapato.
A História, como defendia Marx, até pode não se repetir, mas é de uma ironia a toda a prova.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Sete portugueses num autocarro

Sete portugueses emigraram para a Alemanha, foram trabalhar para a construção em Berlim. Sete portugueses, como diria o Sr. Primeiro-ministro, saíram da sua zona de conforto.
48 horas depois da chegada, após um dia de trabalho, foram agredidos e esfaqueados, não se sabe por quem. A eficiência alemã, pelo menos a da polícia alemã, parece ser um mito,
Sete portugueses voltaram para a pátria, feridos, de autocarro, numa viagem de mais de 24 horas.
Um deles constata o óbvio: “Tenho muitas dores no corpo, por causa dos cortes nas costas, e estou muito cansado também por causa da viagem. Levei onze facadas”.
Num país em que os políticos fazem demagogia viajando em económica nos aviões, o autocarro é o que sobre para o “melhor povo do mundo”.
Onze facadas e uma viagem de autocarro: como é duro ser português na Europa.
O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, prontificou-se a ajudar, mas também foi rápido a acrescentar que “o Estado só trata desses assuntos em situações extremas, quando não há seguros das empresas ou as pessoas não têm mesmo meio para voltar”.
No caso em questão havia “meios para voltar”, um autocarro.
Do Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros nada.
Do governo alemã, idem.
Sair da zona de conforto pode dar nisso: onze facadas e uma viagem de autocarro. E não pensem que o Estado ajuda, só ser for uma “situação extrema”. O que será uma situação extrema para esta gente, doze facadas?

sábado, 16 de março de 2013

VERGONHA, DO LATIM VERECUNDIA

Neste período de factos inimagináveis na Europa, de que a 7.ª avaliação da Troika em Portugal e o confisco bancário no Chipre são apenas capítulos de uma novela que está longe de acabar, talvez o melhor seja estudar um pouco de Latim, para percebermos alguns dos termos que muito iremos aplicar ao longo de 2013.
 
ACUSAR – accusare, “chamar uma pessoa para dar conta das suas ações”. (Cada vez mais comum nas ruas)
 
ARREPENDIMENTO – poenitere,“sentir contrição ou mágoa por uma má ação”. (Esta palavra já não consta em alguns dicionários, por ter caido em desuso).
 
PENITENTE – do Latim poena, do Grego poiné, “punição, penalidade, a pessoa que está pagando por uma infração”. (A não ser que interponha um recurso)
 
FLAGELAR - flagellus, diminutivo de flagrum, “chicote, látego”. (A falta que faz)
 
COMPUNÇÃO – compunctio, de com-, intensificativo, mais punctio, de pungere, “espetar, fincar”. (Também conhecido como extrato bancário)
 
CONTRIÇÃO – do Latim Medieval contritus, particípio passado de conterere, “moer, esfregar”, formado de com-, intensificativo, mais terere, “atritar, esfregar”. Indica alguém que está arrependido e se penitencia pelos maus atos. (Espécie em vias de extinção, tal como o Lince Ibérico)
 
REMORSO – do Latim Medieval remorsus, “tormento”, do Latim remordere, “morder de volta”. Forma-se de re-, “outra vez”, mais mordere, “aplicar os dentes, morder”. (Sem comentários)
 
CONFISSÃO – confiteri, “conhecimento”, de com-, intensificativo, mais fateri, “admitir”. O particípio passado é confessus, “aquele que admite a culpa, confesso”. (Verbo nunca praticado em Portugal)
 
CONDENAR – damnare, de damnum, “perda, estrago”. No Latim Eclesiástico, este dano era a perda da alma, a danação. (Presentemente quem é condenado não sofre nenhuma perda ou dano, os latinistas e cidadãos em geral não conseguem perceber este problema gramatical)
 
CONSCIÊNCIA – conscire, “estar mutuamente a par de”. Este verbo é formado por com-, “com”, e scire, “saber”, origem da palavra “ciência”. (Se as palavras tivessem peso, esta seria a mais leve) 
 
CULPA – manteve a mesma grafia e significado do latim. (Tal como na Roma antiga, continua solteira)
 
VERGONHA - verecundia, “respeito, pudor, timidez”. (Foi vista pela última vez num navio do Vasco da Gama, parece que foi e não voltou)

Universidades que integrarão o acordo entre Brasil e Portugal


Brasil
UFScar (Universidade Federal de São Carlos)
UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
UFAL (Universidade Federal de Alagoas)
UFPA (Universidade Federal do Pará)
UFG (Universidade Federal de Goiás)
UFPR (Universidade Federal do Paraná)


Portugal
Universidade de Coimbra
Universidade de Lisboa
Universidade do Porto
Universidade Técnica de Lisboa
Universidade Nova de Lisboa
Universidade de Aveiro
Universidade do Minho
Universidade de Évora
Universidade de Açores
Universidade do Algarve
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Universidade da Beira Interior
Universidade da Madeira
Universidade Aberta
Universidade Católica Portuguesa

Brasil reconhecerá diploma de engenheiros portugueses

Engenheiros e arquitetos portugueses poderão ter o diploma reconhecido de forma quase automática no Brasil.
A mudança, no primeiro momento, ficará restrita a um grupo de universidades federais -cabe às instituições públicas reconhecer o diploma de graduação estrangeiro. É um primeiro passo que pode repercutir em outros cursos.
A intenção é assinar convênio entre universidades nacionais e portuguesas na próxima semana, durante visita ao Brasil do ministro de Educação e Ciência de Portugal, Nuno Crato. O Ministério da Educação brasileiro apoia a iniciativa.
Na prática, a alteração será sentida "em três, quatro meses", estima o reitor da UFScar (Universidade Federal de São Carlos), Targino Araújo, presidente da comissão de Relações Internacionais da Andifes (associação de reitores). "É para facilitar esse processo. A questão da internacionalização [dos profissionais] é um fato."
Nos anos 1990, restrições a dentistas brasileiros em Portugal criaram rusgas diplomáticas. O imbróglio levou dez anos para ser resolvido.
A demanda para acelerar o reconhecimento de diplomas portugueses é antiga, mas ganhou força diante da crise econômica na Europa.
A revalidação não garantirá ao profissional o direito de atuar no país: isso depende de registro profissional dado pelos conselhos regionais. O Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) diz que não fará objeção ao pedido de registro de portugueses.
Em média, a entrega do registro acontece em três meses, independentemente da nacionalidade do profissional.
A entidade reconhece que o ritmo de formação de engenheiros está abaixo da demanda dos próximos anos, com investimentos em Copa e Olimpíadas. Pondera, porém, que a procura por cursos de exatas tem sido cada vez maior.
SISTEMA ONLINE
Quando um estrangeiro quer revalidar seu diploma no Brasil, independentemente do curso, o processo cabe às universidades públicas. A Andifes quer criar um sistema online para que essas instituições tenham acesso a processos em análise em todo o país e, assim, reduzam o tempo gasto.
Exemplo: uma universidade no AM poderá ver que outra do RS já revalidou diploma de jornalismo de uma faculdade estrangeira. Esse histórico poderá acelerar o trâmite do pedido de outro aluno da mesma instituição.
"Se o currículo do aluno já foi analisado antes, será rapidíssimo", diz Araújo.
 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Universidades e cortes


Para quem se interessa pelo futuro das Universidades em Portugal, aconselho a leitura da entrevista de Pedro Lourtie ao Jornal de Negócios:

 


 

O ILUSÓRIO ABISMO FISCAL

O ILUSÓRIO ABISMO FISCAL DOS EUA, de Michael Hudson (*)

(*) Presidente do Instituto de Estudos de Tendências Económicas, professor de economia da Universidade de Missouri. Mantém um site com escritos sobre finanças e o setor imobiliário. http://michael-hudson.com/

Tradução de André Cristi


Quando, em agosto de 1914, teve início a Primeira Guerra Mundial, economistas de ambos os lados do front previram que as hostilidades não poderiam durar mais de seis meses. As guerras tornavam-se caras o bastante para que governos ficassem sem dinheiro rapidamente. Parecia que, se a Alemanha não derrotasse a França na primavera, tanto os Aliados quanto os Impérios Centrais ficariam sem salvaguarda e alcançariam o que hoje se chama de abismo fiscal, sendo assim forçados a negociar um acordo de paz.

Mas a Grande Guerra estendeu-se por quatro anos. Governos europeus fizeram o que os Estados Unidos haviam feito depois de começada a Guerra Civil, em 1861, quando o Tesouro decidiu imprimir dinheiro. Eles pagaram pela batalha simplesmente imprimindo mais do próprio dólar. Suas economias adquiriram firmeza e não houve mais inflação, o que aconteceria apenas depois de terminada a guerra, como resultado da tentativa alemã de pagar pelas reparações em moeda estrangeira. Foi essa a causa da queda da taxa de câmbio, que aumentou o preço da importação e dos produtos domésticos. O culpado não foi o gasto com a guerra (muito menos qualquer gasto com programas sociais).

Mas a história é escrita pelos vencedores. E as últimas gerações viram os bancos e o setor financeiro vencendo. Mantendo os 99% de baixo endividados, o 1% de cima atualmente subsidia uma teoria económica enganadora, que persuade eleitores a preferirem políticos que beneficiam o setor financeiro em detrimento do setor produtivo e da democracia.

Os lobistas de Wall Street culpam o desemprego e a perda de competividade industrial decorrentes dos gastos públicos e do déficit orçamentário – principalmente os que envolvem programas sociais. O mito (talvez nós devamos chamá-lo de junk economics) diz que (1) governos não deveriam executar déficits (não por imprimir a própria moeda, pelo menos) porque (2) a criação de dinheiro público e impostos altos aumentam preços. A cura para o mal-estar económico (que a própria junk economics causou) é diminuir gastos públicos e impostos sobre ricos, que se autoproclamam “criadores de empregos”. Ao requisitarem o excedente orçamentário, os lobistas dos bancos prometem que a economia terá poder de consumo suficiente para crescer. E, se isso resulta em mais crise, eles insistem que um pouco mais do dinheiro público deve ser usado para pagar as dívidas do setor privado.

A verdade é que quando os bancos enchem a economia de dívidas, faz-se com que menos seja gasto em bens domésticos e serviços. Enquanto isso, sobe o preço da moradia (e do custo de vida) com crédito excessivo e termos de empréstimo mais folgados. E os lobistas dos bancos pedem deflação fiscal. O efeito é a ainda maior redução da demanda ao setor privado, o afundamento do mercado de trabalho e o crescimento do desemprego. Os governos caem em desespero e são advertidos a vender recursos naturais, empresas públicas e outros bens. Isso torna o mercado lucrativo para que empréstimos bancários financiem a privatização a crédito. Assim se explica o apoio dos lobistas do mercado financeiro ao direito de aumentar preços de necessidades básicas, direito que acaba por criar uma frente pela extração de renda. O efeito é o enriquecimento do 1% dono do setor financeiro às custas do endividamento de indivíduos, negócios e do próprio governo.

Essa política foi exposta como destrutiva no final dos anos 1920, quando John Maynard Keynes, Harold Moulton e alguns outros rebateram as afirmações de Jacques Rueff e Bertil Ohlin. Segundo estes, dívidas de qualquer magnitude poderiam ser pagas se governos impusessem austeridade suficientemente profunda. Essa é a doutrina adotada pelo Fundo Monetário Internacional e pelos neoliberais europeus. O primeiro impõe seus princípios sobre os caloteiros do Terceiro Mundo desde 1960, os últimos sobre Irlanda, Grécia, Espanha e Portugal.

Dada a opção de imprimir dinheiro em vez de aumentar impostos, por que políticos só criam novo poder de consumo para sustentar guerras? Por que os governos devem taxar reformados e não Wall Street? Por que o governo norte-americano não imprime dinheiro para pagar a Segurança Social e o Medicare assim como criou novas dívidas em virtude dos $13 trilhões (eu voltarei a esta questão mais tarde) ?.

A resposta a essas questões tem pouco a ver com mercados ou com teoria monetária. Banqueiros dizem que, se tiverem que pagar mais seguros de depósito para salvar o Tesouro ou o contribuinte, terão que cobrar mais dos clientes, apesar dos correntes recordes lucrativos. Quando se trata de taxar o trabalho, porém, eles apoiam outra modalidade fiscal.

Colocar as taxas sobre os ombros dos trabalhadores e da indústria é alcançado por cortar gastos com o 99%. Essa é a raiz das discussões de dezembro de 2012, sobre se se deve ou não impor as políticas antidéficit propostas pela comissão Bowles-Simpson, nomeada pelo presidente Obama em 2010. Derramando lágrimas de crocodilo em razão da incapacidade do governo em equilibrar o orçamento, os bancos insistem que 15,3% do imposto que financia a Medicare e a Segurança Social seja estorvado – como se isso não aumentasse o custo de vida e diminuísse o poder de compra dos consumidores. Empregadores e sua força de trabalho são advertidos a guardar dinheiro para a Segurança Social ou outros programas públicos. Esse é um imposto disfarçado sobre os 99%, cujos rendimentos são usados para reduzir o déficit orçamentário para que impostos possam ser cortados do mercado financeiro e do 1%. Parafraseando Leona Helmsley quando disse que “só as pessoinhas pagam impostos”, o mote pós-2008 é que só os 99% devem perder.
 
Não é mais necessário guardar dinheiro para a Segurança Social do que é para financiar a guerra. Vender títulos do Tesouro para pagar reformados tem efeitos monetários e fiscais idênticos a vender novos valores imobiliários. É uma charada para transferir a carga tributária para o setor produtivo. Governos precisam prover a economia com dinheiro e crédito para expandir mercados e empregos. E eles o fazem por executar déficits orçamentários, o que também pode ser feito por criar dinheiro. A isso é que bancos opõem-se, dizendo que tal medida conduz a economia mais à hiperinflação do que ao crescimento.

A lógica por trás dessa acusação errônea não é senão os interesses dos próprios banqueiros. Banqueiros sempre lutaram para impedir que o governo criasse seu próprio dinheiro – ao menos em tempos de paz. Por muitos séculos, títulos do governo eram os maiores e mais seguros investimentos para as elites financeiras. Investidores e corretores monopolizavam as finanças públicas. O mercado de ações e títulos de corporações era prenhe de fraudes e dominado por informantes das grandes trustes que Wall Street organizava, além dos corretores britânicos e franceses.

No entanto, havia pouca alternativa para que governos criassem seu próprio dinheiro quando os custos da guerra excediam de longe o volume de economias nacionais ou receitas tributárias disponíveis. Essa necessidade óbvia silenciou a tradicional oposição montada por banqueiros para limitar a opção da moeda pública, o que mostra que governos podem fazer mais em estado de emergência do que em condições normais. E a crise financeira de setembro de 2008 proporcionou uma oportunidade para que os governos norte-americano e europeus criassem novas dívidas em função do resgate aos bancos, tão caro quanto uma guerra. Com efeito, era uma guerra financeira. Os bancos já haviam capturado as agências regulatórias para que empreendessem empréstimos irrefletidos e uma onda de fraudes e corrupção não vista desde a década de 1920.

A primeira vitória dos banqueiros foi incapacitar o Tesouro, a Reserva Federal e a Controladoria da Moeda de regular o setor financeiro. Gigantes de Wall Street têm poder de veto na nomeação de administradores dessas agências. Eles usaram esse ponto de apoio para eliminar qualquer candidato que não os favorecesse, preferindo adeptos da desregulamentação do naipe de Alan Greenspan e Tim Geithner. Como sentenciou John Kenneth Galbraith, uma pré-condição para a obtenção de um cargo num banco central é visão de túnel quando se trata de entender que governos podem criar crédito tão prontamente quanto bancos. É necessário que a lealdade política do candidato esteja com os bancos.

Após a ruína financeira de 2008, bastou alguns comandos de computador para que o governo norte-americano criasse $13 trilhões em dívidas para salvar os bancos de danos pelos temerários empréstimos ao mercado imobiliário, apostas arbitrárias e fraudes descaradas. Os $800 bilhões do Programa de Alívio a Ativos Problemáticos (Tarp) mais os $2 trilhões da Reserva Federal permitiram aos bancos que continuassem pagando absurdos para executivos e possuidores de títulos sem quaisquer obstruções enquanto o rendimento dos outros 99% da população estadunidense submergia.

Um novo termo, capitalismo-cassino, foi cunhado para descrever a transformação pela qual passou o capitalismo financeiro após a desregulamentação dos anos 1980, abridora das porteiras para que bancos fizessem o que governos faziam em tempos de guerra: criar dinheiro e novas dívidas públicas por simplesmente ”imprimir” (utilizando teclados de computador, neste caso).

 Tomar para as contas públicas as falidas agências de hipoteca Fannie Mae e Freddie Mac custou $5.2 trilhões, mais de um terço dos $13 bilhões usados no resgate. Isso salvou os possuidores de títulos de sofrerem perdas em virtude das avaliações fraudulentas sobre hipotecas com as quais o Countrywide, o Bank of America, o Citibank e outros bancos “grandes demais para falir” se meteram. Esse enorme crescimento de dívidas foi produzido sem aumento de impostos. Com efeito, os cortes feitos na administração Bush proporcionaram maiores reduções para os mais ricos, também maiores contribuintes da campanha republicana. Privilégios fiscais foram oferecidos a bancos. A Reserva Federal apresentou linha livre de crédito (flexibilização quantitativa) para o sistema bancário por somente 0,25% de juros anuais até 2011 – isto é, um quarto de um por cento, sem questionamento da validade das hipotecas e de seus bens colaterais.

A criação dos $13 trilhões em dívidas para o salvamento dos bancos não foi acusada de ameaçadora à estabilidade económica. Ela permitiu aos bancos prosseguirem pagando seus salários exorbitantes, bônus e dividendos, além das contrapartes de suas apostas arbitrárias. Esses pagamentos ajudaram o 1% a receber 93% do rendimento de 2008. O resgate, assim, polarizou a economia, dando ao setor financeiro mais poder sobre o setor produtivo, os consumidores e o governo do que era o caso desde o século XIX, após a Guerra de Secessão.

Tudo isso torna a atual guerra financeira parecidíssima com as consequências da Primeira Guerra Mundial. O efeito é o empobrecimento dos perdedores, a apropriação de ativos públicos pelos vencedores e a imposição de dívidas e impostos como nos tempos da cobrança de tributos. “A crise financeira tem sido tão devastadora economicamente quanto uma guerra mundial e talvez seja um fardo a ser carregado até por nossos netos”, observou recentemente Andrew Haldane, oficial do Banco da Inglaterra. “Em termos de perda de rendimento e produção, a crise foi tão ruim quanto uma guerra mundial”, disse. O aumento da dívida pública sempre incitou a convocação de austeridade econômica. “Seria surpreendente se as pessoas não estivessem se perguntando sobre o que deu errado com as finanças”.

Mas, enquanto o setor financeiro estiver vencendo a batalha contra a economia, ele preferirá que todo mundo pense que não há alternativas. Tendo tomado para si tanto o domínio da economia quanto das políticas econômicas, o setor financeiro busca manter estudantes, eleitores e a mídia longe de perguntarem-se o motivo pelo qual a organização deve se dar desta maneira. Uma vez que busquem tal questionamento, as pessoas podem se dar conta de que os sistemas bancário, de segurança social e de financiamento da dívida pública não necessariamente devem organizar-se assim. Há melhores alternativas para o atual caminho de austeridade e escravidão econômicas.

terça-feira, 12 de março de 2013

Job of my life

A FIL recebe amanhã a 6ª edição da Futurália onde estará presente a Agência Federal de Emprego Alemã a receber candidaturas para o programa "Job of my life".
A FIL recebe na próxima quarta-feira a 6ª edição da Futurália onde estará presente a Agência Federal de Emprego Alemã a receber candidaturas para o programa "Job of my life", que prevê a atribuição de bolsas de estudo até 800 euros por mês para os candidatos dos 18 aos 35 anos que queiram estudar na Alemanha.

Engenharia, tecnologias de informação, turismo, saúde e mecânica são algumas das áreas de recrutamento da agência alemã que no seu site tem cerca de 800 mil ofertas de emprego. A Futurália, o maior salão nacional dedicado à educação, formação e empregabilidade, estará na FIL entre os dias 13 e 16 de Março, agregando, uma vez mais, uma ampla oferta nacional e internacional de educação, formação, requalificação e empregabilidade, direccionada quer para jovens estudantes quer para recém-licenciados e profissionais no activo.

Os estudantes do secundário encontram um leque de opções para decidirem o seu caminho académico e profissional, enquanto os recém-licenciados e os profissionais, que já estão no mercado de trabalho, descobrem novas possibilidades de valorização académica, profissional e pessoal. A feira contará com cerca de 400 expositores, entre empresas, instituições e organismos públicos e privados com vocação formativa.

http://economico.sapo.pt/noticias/job-of-my-life-na-futuralia-a-oferecer-bolsas-para-a-alemanha_164547.html

segunda-feira, 11 de março de 2013

Anistia fiscal para alunos que não consigam pagar propinas

O Bloco de Esquerda recupera uma proposta que a maioria já chumbou uma vez: uma anistia para os estudantes universitários que por dificuldades económicas não estão a pagar as propinas a tempo e horas.

Luís Fazenda, deputado bloquista, defendeu a ideia esta segunda-feira numa visita à Universidade de Aveiro, onde afirmou que cerca de quatro mil alunos abandonaram os estudos nesta universidade por problemas financeiros.

O reitor da Universidade de Aveiro desmentiu o Bloco de Esquerda: “Temos desistências da ordem dos mil alunos, não se identifica nenhum agravamento de um ano para o outro.”

“O principal parâmetro, como imaginam, é não declararem a razão pela qual desistem. Quando olhamos para aqueles que declaram razões económicas, a percentagem é muito pequena, na ordem dos 10%, salvo erro”, afirma Manuel Assunção, com números relativos ao ano letivo anterior.

Luís Fazenda não ficou particularmente convencido. “Os senhores reitores e o senhor ministro da Educação têm uma análise muito própria, agora as instituições não podem desmentir o aumento de propinas em atraso, nem sequer esta [de Aveiro], em que os números são bem visíveis”, apontou.

O Bloco de Esquerda insistiu numa anistia fiscal dos incumpridores por motivos de carência económica, defendendo mesmo a isenção total das propinas no atual ano letivo, proposta que PSD, CDS e PS chumbaram no início do mês na Assembleia da República.

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=99802

A força do óbvio

Salvámos os bancos, mas podemos perder uma geração

Martin Schulz diz que se há dinheiro para salvar os bancos, também tem de haver para salvar os jovens dos países em dificuldades.
Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, considera que a Europa está em risco de perder uma geração se nada for feito para proteger os jovens e diz que, se houve 700 mil milhões de euros para salvar os bancos, "devemos ter pelo menos tanto dinheiro para estabilizar a geração jovem" dos países em dificuldade.

"Salvámos os bancos, mas estamos a correr o risco de perder uma geração", afirmou Schulz em entrevista à Reuters.

"Uma das maiores ameaças é que as pessoas perdem inteiramente a confiança na capacidade da União Europeia para resolver seus problemas. E, se a geração mais jovem está a perder a esperança, então aos meus olhos a União Europeia está em perigo real", salientou o político alemão de 57 anos.

Recentemente, Schulz foi interpelado por uma espanhola durante uma debate sobre o facto de o jovens estarem a ser abandonados pelos governos para que os bancos pudessem ser salvos.

"Ela efectivamente levantou a questão: ‘Vocês deram 700 mil milhões de euros para o sistema bancário, quanto dinheiro têm para mim?' E qual é a minha resposta? Se temos 700 mil milhões de euros para estabilizar o sistema bancário, devemos ter pelo menos tanto dinheiro para estabilizar a geração jovem desses países", disse o responsável socialista que lidera desde Janeiro de 2012 o Parlamento Europeu.

"Somos campeões mundiais em cortes, mas temos menos ideias quando se trata de estimular o crescimento", referiu.


http://economico.sapo.pt/noticias/salvamos-os-bancos-mas-podemos-perder-uma-geracao_164552.html

Os miseráveis não precisam ser miseráveis

A editora Relógio d´Água lançou recentemente a obra Os criadores da economia moderna, da autoria de Sylvia Nasar. O livro, escrito com uma clareza magistral, revela, a cada capítulo, as questões colocadas a sucessivas gerações de economistas e as respostas por eles indicadas.

Como qualquer tema da História, e principalmente da história do pensamento económico, é impossível não estabelecer paralelismos com o tempo presente, ficando sempre no ar a dúvida sobre se somos ou não capazes de aprender com o passado.

É o que se passa, por exemplo, no capítulo sobre a economista Beatrice Webb, a quem devemos a primeira teorização sólida sobre uma rede de proteção social, ou, como dizemos hoje, Estado Social.

Juntamente com o seu marido, Sidney, defenderam na sua obra conjunta Industrial Democracy, publicada em 1897, ideias como um salário mínimo e um sistema de saúde nacional. Lembra alguma coisa?

Em 1905, Beatrice participou numa comissão real que visava reformar as chamadas Leis da Pobreza. A sua teorização é, ainda hoje, fundamental. Resumindo, Beatrice defendia que a desigualdade e, por conseguinte, a pobreza, seria inevitável, mas tal não ocorreria necessariamente com a miséria. Eliminar a miséria era a chave para impedir que a pobreza de uma geração passasse automaticamente para a geração seguinte. Lembra alguma coisa?

Mais, ela era contra a ideia de que a miséria resultava de um defeito moral. Ao contrário, apresentou uma lista de cinco causas que correspondiam aos principais grupos de indivíduos e famílias na miséria:

 1.Os doentes;
 2.As viúvas com filhos pequenos;
 3.Os idosos;
 4.As pessoas que sofriam de distúrbios mentais, da pouca inteligência à loucura;
 5.Os indivíduos saudáveis, cuja miséria resultava do desemprego crônico.

 Lembra alguma coisa?

 A Inglaterra do início do século XX proporcionava alívio às pessoas assoladas pela miséria, mas não prevenção. Beatrice propunha justamente o contrário: o Estado deveria, na medida das suas capacidades, colocar em prática medidas que eliminassem, ou ao menos reduzissem, as causas da pobreza. E que políticas seriam estas? Garantir a todos os cidadãos, mesmo todos, coisas básicas tais como alimentação e educação na juventude, emprego e salário dignos na vida adulta, assistência aos idosos e doentes. Lembra alguma coisa?

Devemos a Beatrice Webb uma boa parte do quadro teórico que nos permite hoje afirmar que a pobreza não é fruto unicamente de certas condições ou circunstâncias, mas de escolhas claras efetuadas pelos governos. É graças a pensadores como ela que ficamos sempre com a pulga atrás da orelha sempre que ouvimos um governante dizer “Não há alternativa”. Lembra alguma coisa?


Poderá ler a primeira página do livro em...

http://www.relogiodagua.pt/uploads/9/8/1/6/9816481/pginas_de_nasar_1a.pdf

sexta-feira, 8 de março de 2013

Ministro brasileiro diz que universidades portuguesas são centros de excelência

http://www.ionline.pt/portugal/ministro-brasileiro-rejeita-polemica-diz-universidades-portugesas-sao-centros-excelencia

O ministro da Educação brasileiro afirmou hoje que as universidades portuguesas são centros de excelência, rejeitando a polémica sobre o Brasil não querer enviar estudantes do programa Ciência sem Fronteiras para as universidades supostamente "mais fracas" de Portugal.
"(As universidade portuguesas) têm o reconhecimento em rankings internacionais, tem cursos de excelência em áreas que nós temos interesse", disse Aloizio Mercadante durante uma conferência de imprensa conjunta com o ministro da Educação português, Nuno Crato.
"Há oito universidades portuguesas que estão presentes praticamente em todos os rankings internacionais. São universidades de grande destaque na Ibero-América, que nós temos uma longa tradição de convivência", afirmou.
O jornal O Estado de São Paulo divulgou, na semana passada, que a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES) - entidade do Governo brasileiro e uma das gestoras do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) - enviou um e-mail a cerca de 9.700 alunos que pretendem estudar em Portugal, indicando que poderiam mudar a sua candidatura para outros países, como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália.
O programa Ciência Sem Fronteiras - criado pela Presidente brasileira, Dilma Rousseff, e que oferece bolsas de estudo de graduação e de pós-graduação em países estrangeiros, além da captação de cientistas para o Brasil - já enviou para Portugal 2.587 estudantes brasileiros.
Segundo o jornal, os coordenadores do projeto CsF estarão, na realidade, preocupados com o nível de ensino de várias das universidades portuguesas, que seriam "mais fracas" do que as brasileiras, segundo rankings internacionais que avaliam o desempenho dos estabelecimentos de ensino superior.
A CAPES divulgou hoje uma nota na sua página da Internet e esclareceu que "o objetivo (desta medida) é equilibrar a distribuição de bolsistas nos países".
"O programa Ciência sem Fronteira tem também como motivação a proficiência em outros idiomas (...), nós precisamos estimular os jovens a falar outros idiomas, ter outras competências e viver em outras culturas", disse Mercadante hoje em Lisboa, acrescentando que o Brasil está a desenvolver programas de aperfeiçoamento de várias línguas (alemão, inglês, mandarim, francês) para os estudantes.
"Isso não pode ser lido e nem será, como qualquer resistência à nossa pareceria histórica, pois queremos cada vez mais ter paridade e profundidade na cooperação com Portugal", referiu.
"O Brasil reconhece, as nossas universidades reconhecem, as universidades de excelência em Portugal, os cursos de excelência, especialmente nas áreas de engenharia mecânica, engenharia civil, matemática, física, química e biologia", acrescentou.
Nuno Crato, que referiu que visitará o Brasil "em breve", disse por seu lado que os estudantes brasileiros "enriquecem as universidades portuguesas com a diversidade cultural" e que "Portugal pretende aprofundar laços com o Brasil na área a investigação científica" e da cooperação no ensino superior.
Aloisio Mercadante adiantou que em junho será realizado em Lisboa um "seminário conjunto" com cientistas e académicos de várias áreas do conhecimento "para serem discutidas possibilidades de parcerias de pesquisas conjuntas".
"Num cenário de crise, cortamos orçamento e a pesquisa sofre. Se fizermos juntos, faremos mais e melhor, podemos dividir custos e impulsionar pesquisas, sobretudo na área da inovação, competitividade, eficiência económica. Precisamos de aumentar a eficiência industrial e de produção neste cenário de crise internacional", defendeu o ministro brasileiro.

Universidades portuguesas e brasileiras e o reconhecimento

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/ministro-da-educacao-brasileiro-diz-que-universidades-estao-a-resolver-problemas-de-reconhecimento-1587004

O ministro da Educação do Brasil, Aloizio Mercadante, disse nesta quinta-feira em Lisboa que as universidades portuguesas e brasileiras estão a trabalhar intensamente para resolver problemas no reconhecimento de diplomas na área da engenharia e arquitectura.
“Oito universidades brasileiras e 15 universidades portuguesas estão a trabalhar intensamente para resolver no âmbito das universidades, porque no Brasil quem reconhece diploma são as universidades públicas, o problema do reconhecimento dos diplomas de engenharia e arquitectura entre os dois países", declarou Mercadante.
O ministro brasileiro falava numa conferência de imprensa conjunta com o ministro da Educação português, Nuno Crato.
“Será muito rápido [a resolução do reconhecimento dos diplomas de engenheiros e arquitectos portugueses no Brasil]", afirmou Aloízio Mercadante.

“Para isso, [as universidades] estão a trocar os currículos dos cursos, a analisar as grelhas curriculares, carga horária, as disciplinas para ver a compatibilidade, mas está muito próximo de ser resolvido”, acrescentou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, já havia pedido a Mercadante, durante uma visita ao Brasil em Junho de 2012, que o reconhecimento dos diplomas dos engenheiros e arquitectos portugueses fosse realizado o mais breve possível.
Mercadante referiu ainda que, depois solucionado o problema do reconhecimento dos diplomas, será iniciado o diálogo para o registo dos profissionais portugueses na ordem dos arquitectos e engenheiros (CREA) brasileira, sem o qual não podem trabalhar.
Na sexta-feira, Mercadante, que realiza uma visita de dois dias a Portugal, assinará em Braga o protocolo de cooperação tripartida entre o Brasil, Portugal e Espanha durante uma visita ao Instituto Internacional Ibérico de Nanotecnologia, primeira instituição de pesquisa internacional no campo da nanociência e da nanotecnologia na Europa.
O ministro brasileiro já visitou nesta semana, a Espanha e a Bélgica, onde se reuniu com várias autoridades da União Europeia.

quarta-feira, 6 de março de 2013

LITERATURA E TOTALITARISMO - I

VASSILI GROSSMAN
(Berdichev, 1905 - Moscovo, 1964)

 
 
Judeu soviético, tornou-se escritor sob o incentivo de Gorki. Do realismo socialista inicial, passou para uma literatura crítica, que culminou com a criação de Vida e Destino, aclamado por muitos como um dos grandes romances do século XX.
 
Apreendido pelo KGB em 1960, o livro foi publicado primeiro no Ocidente, em 1970, o que foi uma surpresa, pois era considerado uma obra perdida. O dissidente Andrei Sakharov teve um papel importante na divulgação do romance, num tempo em que a palavra escrita podia custar a vida de um autor.
 
Para conhecer mais sobre o autor e a sua obra uma boa fonte é a introdução escrita por Filipe Guerra à edição de Vida e Destino da Dom  Quixote, traduzida por ele próprio e por Nina Guerra. Existe igualmente em português uma coletânea dos seus artigos escritos durante a Segunda Guerra Mundial, intitulado Um escritor na guerra, da Edições 70.
 
Uma parte significativa da sua obra aguarda por uma tradução portuguesa, e nós também.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Formação em Aquisição Básica de Competências, da Rede Valorizar, arranca hoje

Têm hoje início as primeiras ações de formação no âmbito da Aquisição Básica de Competências prevista para o ano de 2013 pela Rede Valorizar, do Governo dos Açores.

A Agenda Açoriana para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial previa a operacionalização desta formação para o segundo trimestre deste ano, mas a Rede Valorizar conseguiu implementar já as primeiras das 45 ações a realizar este ano, distribuídas pelas diferentes ilhas dos Açores e abrangendo cerca de 900 pessoas.

A Rede Valorizar é um serviço criado pelo Governo dos Açores com o objetivo de assegurar a todos os cidadãos uma oportunidade de qualificação e certificação, de nível básico, secundário e/ou profissional, pela via da certificação de competências adquiridas, assim como pelo encaminhamento para ofertas formativas.

O programa de formação assente no sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências tem como objetivo elevar as habilitações literárias de nível básico de adultos inscritos na Agência para a Qualificação e Emprego, fator que o Governo dos Açores considera essencial para a inserção no mercado de trabalho.

 Cada ação, com a duração de 300 horas, inclui módulos de Português, Matemática, Empregabilidade e Informática, sendo formadores professores que se encontravam igualmente inscritos na Agência para a Qualificação e Emprego.

Um despacho conjunto do Vice-Presidente e do Secretário Regional da Educação, Ciência e Cultura do Governo dos Açores, publicado na passada sexta-feira, regulamenta o programa de formação.

No mesmo despacho fica prevista uma compensação aos utentes da Agência para a Qualificação e Emprego, de forma a que possam suportar os custos com o transporte e alimentação durante o período de formação.

domingo, 3 de março de 2013

Açores entre os piores nos exames intermédios


No passado mês de fevereiro o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação publicou o seu relatório sobre os testes intermédios de 2012, onde os Açores, juntamente com a Madeira e o Sul do país, registam os piores resultados.


Duas coisas chamam aqui a atenção:
Em primeiro lugar, porque só agora o GAVE concluiu e publicou o relatório? Os intermédios decorreram no 1.º semestre de 2012, é preciso esperar o ano de 2013 para compilar e organizar um conjunto de dados estatísticos?
Em segundo lugar, o mau desempenho dos estudantes açorianos do 3.º ciclo e do secundário praticamente não gerou discussão. Foi notícia de primeira página nos jornais e pouco mais. Da Secretaria da Educação nem uma palavra. No Parlamento não foi tema de debate. Dos sindicatos nem um pio. As escolas onde estes resultados foram produzidos olharam para o lado e fingiram não ver.
Já agora, seria interessante um estudo que mostrasse, de entre os jovens que obtiveram classificações positivas, a percentagem daqueles que beneficiaram de explicações.
Ou seja, ou a crise não nos deixa tempo para pensar em mais nada ou desempenhos negativos na Educação já não têm o poder de nos chocar. Qualquer das alternativas é ruim.

Entretanto, existem medidas simples e sem grandes custos que nos ajudariam a combater este cenário. No caso do ensino básico, por exemplo, o ano letivo termina a 14 de junho e os exames finais de Português e de Matemática decorrerão a 20 e 27 de junho respetivamente. Entre o fim das aulas e o início dos exames (sábados inclusive) os alunos do 9.º ano bem que poderiam ficar na escola, a beneficiar de apoio por parte dos professores de Português e de Matemática. São poucos dias, é verdade, mas preciosos.

A nossa meta deve ser termos os melhores resultados do país. Se não formos ambiciosos, a mediocridade será o nosso destino.