sexta-feira, 8 de março de 2013

Ministro brasileiro diz que universidades portuguesas são centros de excelência

http://www.ionline.pt/portugal/ministro-brasileiro-rejeita-polemica-diz-universidades-portugesas-sao-centros-excelencia

O ministro da Educação brasileiro afirmou hoje que as universidades portuguesas são centros de excelência, rejeitando a polémica sobre o Brasil não querer enviar estudantes do programa Ciência sem Fronteiras para as universidades supostamente "mais fracas" de Portugal.
"(As universidade portuguesas) têm o reconhecimento em rankings internacionais, tem cursos de excelência em áreas que nós temos interesse", disse Aloizio Mercadante durante uma conferência de imprensa conjunta com o ministro da Educação português, Nuno Crato.
"Há oito universidades portuguesas que estão presentes praticamente em todos os rankings internacionais. São universidades de grande destaque na Ibero-América, que nós temos uma longa tradição de convivência", afirmou.
O jornal O Estado de São Paulo divulgou, na semana passada, que a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES) - entidade do Governo brasileiro e uma das gestoras do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) - enviou um e-mail a cerca de 9.700 alunos que pretendem estudar em Portugal, indicando que poderiam mudar a sua candidatura para outros países, como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália.
O programa Ciência Sem Fronteiras - criado pela Presidente brasileira, Dilma Rousseff, e que oferece bolsas de estudo de graduação e de pós-graduação em países estrangeiros, além da captação de cientistas para o Brasil - já enviou para Portugal 2.587 estudantes brasileiros.
Segundo o jornal, os coordenadores do projeto CsF estarão, na realidade, preocupados com o nível de ensino de várias das universidades portuguesas, que seriam "mais fracas" do que as brasileiras, segundo rankings internacionais que avaliam o desempenho dos estabelecimentos de ensino superior.
A CAPES divulgou hoje uma nota na sua página da Internet e esclareceu que "o objetivo (desta medida) é equilibrar a distribuição de bolsistas nos países".
"O programa Ciência sem Fronteira tem também como motivação a proficiência em outros idiomas (...), nós precisamos estimular os jovens a falar outros idiomas, ter outras competências e viver em outras culturas", disse Mercadante hoje em Lisboa, acrescentando que o Brasil está a desenvolver programas de aperfeiçoamento de várias línguas (alemão, inglês, mandarim, francês) para os estudantes.
"Isso não pode ser lido e nem será, como qualquer resistência à nossa pareceria histórica, pois queremos cada vez mais ter paridade e profundidade na cooperação com Portugal", referiu.
"O Brasil reconhece, as nossas universidades reconhecem, as universidades de excelência em Portugal, os cursos de excelência, especialmente nas áreas de engenharia mecânica, engenharia civil, matemática, física, química e biologia", acrescentou.
Nuno Crato, que referiu que visitará o Brasil "em breve", disse por seu lado que os estudantes brasileiros "enriquecem as universidades portuguesas com a diversidade cultural" e que "Portugal pretende aprofundar laços com o Brasil na área a investigação científica" e da cooperação no ensino superior.
Aloisio Mercadante adiantou que em junho será realizado em Lisboa um "seminário conjunto" com cientistas e académicos de várias áreas do conhecimento "para serem discutidas possibilidades de parcerias de pesquisas conjuntas".
"Num cenário de crise, cortamos orçamento e a pesquisa sofre. Se fizermos juntos, faremos mais e melhor, podemos dividir custos e impulsionar pesquisas, sobretudo na área da inovação, competitividade, eficiência económica. Precisamos de aumentar a eficiência industrial e de produção neste cenário de crise internacional", defendeu o ministro brasileiro.

Sem comentários:

Enviar um comentário