Como qualquer tema da História, e
principalmente da história do pensamento económico, é impossível não
estabelecer paralelismos com o tempo presente, ficando sempre no ar a dúvida
sobre se somos ou não capazes de aprender com o passado.
É o que se passa, por exemplo, no capítulo sobre a economista Beatrice Webb, a quem devemos a primeira teorização sólida
sobre uma rede de proteção social, ou, como dizemos hoje, Estado Social.
Juntamente com o seu marido, Sidney, defenderam
na sua obra conjunta Industrial Democracy,
publicada em 1897, ideias como um salário mínimo e um sistema de saúde
nacional. Lembra alguma coisa?
Em 1905, Beatrice participou numa comissão
real que visava reformar as chamadas Leis da Pobreza. A sua teorização é, ainda
hoje, fundamental. Resumindo, Beatrice defendia que a desigualdade e, por
conseguinte, a pobreza, seria inevitável, mas tal não ocorreria necessariamente
com a miséria. Eliminar a miséria era a chave para impedir que a pobreza de uma
geração passasse automaticamente para a geração seguinte. Lembra alguma coisa?
Mais, ela era contra a ideia de que a miséria
resultava de um defeito moral. Ao contrário, apresentou uma lista de cinco
causas que correspondiam aos principais grupos de indivíduos e famílias na
miséria:
1.Os doentes;
2.As viúvas com filhos pequenos;3.Os idosos;
4.As pessoas que sofriam de distúrbios mentais, da pouca inteligência à loucura;
5.Os indivíduos saudáveis, cuja miséria resultava do desemprego crônico.
Lembra
alguma coisa?
Devemos a Beatrice Webb uma boa parte do
quadro teórico que nos permite hoje afirmar que a pobreza não é fruto unicamente
de certas condições ou circunstâncias, mas de escolhas claras efetuadas pelos
governos. É graças a pensadores como ela que ficamos sempre com a pulga atrás
da orelha sempre que ouvimos um governante dizer “Não há alternativa”. Lembra
alguma coisa?
Poderá ler a primeira página do livro em...
http://www.relogiodagua.pt/uploads/9/8/1/6/9816481/pginas_de_nasar_1a.pdf

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