Sete portugueses emigraram para a
Alemanha, foram trabalhar para a construção em Berlim. Sete portugueses, como
diria o Sr. Primeiro-ministro, saíram da sua zona de conforto.
48 horas depois da chegada, após
um dia de trabalho, foram agredidos e esfaqueados, não se sabe por quem. A
eficiência alemã, pelo menos a da polícia alemã, parece ser um mito,
Sete portugueses voltaram para a
pátria, feridos, de autocarro, numa viagem de mais de 24 horas.
Um deles constata o óbvio: “Tenho
muitas dores no corpo, por causa dos cortes nas costas, e estou muito cansado
também por causa da viagem. Levei onze facadas”.
Num país em que os políticos fazem
demagogia viajando em económica nos aviões, o autocarro é o que sobre para o “melhor
povo do mundo”.
Onze facadas e uma viagem de
autocarro: como é duro ser português na Europa.
O secretário de Estado das
Comunidades, José Cesário, prontificou-se a ajudar, mas também foi rápido a
acrescentar que “o Estado só trata desses assuntos em situações extremas,
quando não há seguros das empresas ou as pessoas não têm mesmo meio para
voltar”.
No caso em questão havia “meios
para voltar”, um autocarro.
Do Sr. Ministro dos Negócios
Estrangeiros nada.
Do governo alemã, idem.
Sair da zona de conforto pode dar
nisso: onze facadas e uma viagem de autocarro. E não pensem que o Estado ajuda,
só ser for uma “situação extrema”. O que será uma situação extrema para esta
gente, doze facadas?
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