O ministro da Educação, Nuno
Crato, confirmou na passada sexta-feira que a mobilidade especial será aplicada
aos professores já no próximo ano letivo.
Um resumo do que é a mobilidade especial:
Um funcionário público na mobilidade especial tem o seu salário cortado para
metade depois de dois meses neste regime e, ao fim de dois anos, pode ser
despedido.
Um resumo do que são os
indicadores educacionais portugueses comparados com os outros países da União
Europeia: fundo da tabela.
A postura do Sr. Ministro perante
os jornalistas foi de um indivíduo no mínimo envergonhado. Quem antes afirmara
que a mobilidade especial não se aplicaria aos professores, agora recusa
esclarecer se a decisão contou com o seu acordo. Mais, perante a insistência
dos jornalistas, saiu-se com dois falsos argumentos, logo ele que é um homem
das ciências exatas.
Primeiro, insistiu que o seu
compromisso de que os professores não seriam abrangidos pela mobilidade especial
só se aplicava ao presente ano letivo. Se era esse o caso, deveria ter feito a
ressalva na altura da afirmação.
Depois, argumentou que perguntar
se ele era contra ou a favor da medida “é o mesmo que me perguntarem se
concordo com a chuva”. Não é Sr. Ministro. A chuva, como o Sr. bem sabe, é um
fenómeno natural, a mobilidade não, é uma decisão do Governo ao qual o Sr.
pertence.
Por fim, afirmou que “há coisas
que me transcendem”. Errou outra vez. A chuva, de facto, transcende a todos nós.
A mobilidade, por ser uma decisão governamental, não. Podemos concordar,
podemos criticar, podemos ir para a rua gritar, podemos ignorar, podemos colocar
qualquer coisinha no facebook, ou seja, não transcende ninguém.
A mobilidade e as ameaças de
despedimentos de professores não são fenómenos nem naturais nem transcendentais,
logo o Sr. Ministro da Educação não pode afirmar que não há nada a fazer. Muito
pelo contrário, há, e as hipóteses são até bastante simples. Ou o Sr. Ministro
concorda com a medida e a aplica, ou o Sr. Ministro não concorda e,
coerentemente, pede a demissão. Enveredar por falsos argumentos científicos, é
verdade, também é uma opção, mas não fica bem a quem tanto criticou o eduquês.
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