2 de Março - Luta Nacional de Formadores: não cales a tua voz!!!
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Após os primeiros sinais terem surgido sobre mudanças na contração de formadores externos do
IEFP, em Julho de 2012, houve uma imediata organização / mobilização de formadores externos do
Instituto do Emprego e Formação Profissional, de Norte a Sul do país, que procuram, até hoje e através de sucessivas reuniões, uma resposta ou possível solução para a dispensa silenciosa daqueles que parecem ser os fantasmas do sistema de educação profissional em Portugal: os formadores externos do I.E.F.P, I.P.
Como resultado da primeira reunião no Instituto, o maior argumento utilizado era bem forte:
números! Neste caso, poupar-se-ia muito ao Estado em termos económicos pois iriam ser
(re)aproveitados os professores de quadro em horário zero para executar funções no I.E.F.P.
Presentemente, questionamos: se, para cerca de 950 vagas, concorreram apenas 27 professores
de quadro e todos os restantes vão ser pagos, onde está, afinal, a poupança? Nem sequer há certeza de
que esses vinte e sete tenham ficado colocados no instituto!
Mais ainda, se, aparentemente, vão pagar uma importância simbólica por quilómetro em
deslocações (o que não aconteceu até à data), onde fica a questão de números e reaproveitamento de
recursos/ poupança? E, mais um ponto que fica sem resposta e que parece dúbio, é o facto de irem pagar trinta horas semanais a cada formador quando não há quaisquer garantias de que as mesmas sejam realmente ministradas.
Ou seja, o Instituto pagará por um serviço que poderá não ser prestado. Fala-se, então, em
trabalho administrativo (para tentar justificar o pagamento dessas trinta horas) que poderá ser levado a cabo por esses novos formadores. Mais um ponto que pode ser facilmente refutado!!!
Actualmente, o Instituto tem formadores externos que executam trabalho administrativo de
forma quase gratuita (em média os mediadores recebem o pagamento de sete horas mensais por um
trabalho que costuma demorar o dobro das horas ou, geralmente, ainda mais. Aliás, do que tenho
conhecimento, recebem só sete horas mensais por esse trabalho).
É trabalho gratuito executado por profissionais qualificados que se têm dedicado ao Instituto sem
possuir qualquer vínculo e agora querem que nós, formadores, aceitemos a nossa expulsão, alegando a questão orçamental – reduzir, reduzir, reduzir! -, quando vão pagar mais a profissionais com pouca ou nenhuma experiência no ensino profissional?!
- Ensino Profissional e de qualidade em Portugal? Para quê?
Acho que o chocante, inconcebível e totalmente inacreditável, neste momento, em relação ao
Ensino, sobretudo o Profissional é nada, de facto, importar. Não interessa a qualidade do ensino, a vocação para o ensino profissional ou público (nem todos a têm. Ou se adaptam bem a um ou a outro e todos, formadores e professores, são necessários). Contudo, não interessam resultados, não interessa um passado cheio de factores positivos e de prémios ganhos em concursos nacionais e internacionais devido ao fruto do trabalho desses formadores em Campeonatos de Profissões.
Argumentos mostrados até agora, simplesmente, já não são válidos - "vamos colocar professores
a dar base" - Mas, afinal, que ridículo existe nesta afirmação quando nem há conhecimento de que (pelo menos!) 80% dos formadores a dar base são professores? E o argumento mais válido será "vamos colocar professores porque há muitos profissionais desempregados?!". Então e ninguém se digna a tentar perceber a jogada de contornos macabros que existe em jogar para o lixo professores-formadores e formadores experientes que NÃO TÊM SEQUER DIREITO AO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO e que chegam aos limites de nem terem direito a um cêntimo por mês, depois de tantos anos de descontos, colocando in loco professores que até estão a receber mensalmente um apoio?
Muito haveria a discorrer sobre o assunto, até mesmo por haver ainda quem não tenha
conseguido abrir os olhos para a dura e actual realidade, no entanto, como conclusão, debruço-me
exclusivamente sobre o concurso para colocar professores e formadores no Instituto.
Este famoso concurso, que teve a parca duração de 72 horas tem como consequência final
colocar na rua pessoas que optaram pela formação profissional, pois poucos conseguiram actualizar o
tempo de serviço ou preparar outros documentos.
Serve o recente concurso para dispensar profissionais cujo único sustento é exactamente este
precário trabalho a recibos verdes, quando os mesmos têm demonstrado - ao longo de MUITOS anos de árduo trabalho -, resultados bem positivos e ainda há quem alegue que esta é a melhor solução para o ensino profissional em Portugal, quando, sinceramente, mais avaliado do que um formador não há?
Quando, no fim de contas, se um formador for mau, é convidado a sair ou não mais recebe formação
(sendo o mesmo sabido por toda a área da formação profissional - pública ou privada) e quando nem
sempre o mesmo sucede noutras áreas do Ensino? E vêm falar-me em equidade? Em democracia? Em
melhorar a qualidade do ensino profissional?
Por esse motivo e tentando, UMA VEZ MAIS, apelar à união de todos os profissionais de formação
neste país, apelo (e apelamos todos nas redes sociais, sobretudo no grupo “Formadores Injustiçados” do Facebook!) à união e à presença de todos em Lisboa ou no Porto no próximo dia 2 de Março! Pelos nossos direitos enquanto formadores, mas, sobretudo, pelo direito democrático que temos e que merecemos enquanto parte integrante dos cidadãos que mais contribuem economicamente para o Estado.
ACORDEM, FORMADORES! Lutem por aquilo em que acreditam! Somos profissionais devidamente qualificados e escolhemos de coração o ensino profissional! Vamos soltar a nossa voz!
Para finalizar e pedindo já desculpas pelo desabafo, não me coíbo, no entanto de o afirmar - não
se esqueçam: fecham escolas, hospitais, vendem património público, rebaixam as forças de segurança, desgraçam os profissionais de saúde, conseguem denegrir a educação, brincam com os professores do Ensino Público e atiram para o lixo milhares de formadores sem um motivo válido. “Viva Portugal! Viva a Democracia!” (E viva mais ainda quem deixa o país ir ao fundo devido à sua inércia, dedicando-se ao zapping televisivo, sentado numa confortável poltrona entre quatro paredes, culpando meio mundo pelas suas desgraças!)
Acorda, Portugal! O Povo ainda é quem mais ordena e, neste caso, como profissionais da
educação que somos, o nosso primeiro dever é formar e educar! Devidamente. Conscientemente.
ACTIVAMENTE!
Dia 2 de Março em Lisboa!
Carla Sofia P. R. Ferreira
21 de Fevereiro de 2013, 00h:05m
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