Foi publicado no Brasil um livro contendo cartas de amor de D. Pedro (I do Brasil, IV de Portugal) para a sua amante, Domitila de Castro, marquesa de Santos, com quem teve 5 filhos (teve também um com a irmã dela). D. Pedro era casado na altura com D. Leopoldina, filha do Imperador da Áustria.
São 94 cartas encontradas quase por acaso, em 2010, em um obscuro museu nos EUA, escritas entre 1823 e 1827. D. Pedro assina muitas das missivas como “O Demonão” ou “Fogo foguinho” e trata a amante por “Titília”. Os temas são variados, mas não faltam alusões à “tua coisa” e a ida “aos cofres” da marquesa. Algumas cartas são ilustradas, com desenhos que hoje só encontramos nos quartos de banho públicos.
Existem passagens deliciosas:
(...) ontem mesmo fiz amor de matrimônio para que hoje, se mecê estiver melhor e com disposição, fazer o nosso amor por devoção. Aceite, meu benzinho, meu amor, meu encanto e meu tudo, o coração constante/ Deste seu fiel amante/ O Demonão
(...) não lhe pareça, meu amor, que esta linguagem é da boca para fora ou filha da astúcia ou da velhacaria própria dos falsos amantes: mas não é. É filha do meu coração arrependido que todo se derrete em amor quando se lembra que de tão longe mecê veio, e que tanto tempo ausente se mostrou constante.
(...) vou fazer a barba para mecê não ser arranhada à noite por / Este seu desvelado, agradecido, fiel, constante e verdadeiro amante/ O Imperador
"Filha, pelo amor que tens a nossas filhas, não me faças por tuas inconsideradas expressões (e por mim não merecidas) atormentar-me eu. Filha, estou (pergunta a teu mano João) com a cara mais abatida, e muito mais ficará se em lugar de receber de ti agradáveis expressões eu na tua carta achar o contrário. Filha, eu te quero muito, tu bem o sabes, e se te não quisesse nada te diria, nem excogitaria todos os dias modos e entradas para te ir ver."
Nota: O túmulo da Marquesa de Santos, no Cemitério da Consolação, em São Paulo, é visitado ainda hoje por jovens que vão rezar para encontrar um marido.

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