terça-feira, 8 de janeiro de 2013

FALTAM SUICÍDIOS

Sobre a recente intervenção do Estado no Banif há pouco a acrescentar depois da crónica do Miguel Sousa Tavares no Expresso. Está tudo lá e dispensa repetições.
 
O que choca é um certo padrão, presente em outros países mas que Portugal cultiva ao limite, o padrão da impunidade, da falta de consequências. Na quebra geral de 1929 não foram poucos os especuladores que se suicidaram. Havia memo a piada de que era perigoso andar pelas ruas de Nova York, pois um corpo poderia cair-lhe em cima.
 
Na atual crise é certo que os ricos americanos e europeus não se suicidaram, aliás, salvo raríssimas exceções, nem sequer deixaram de ser ricos, mas alguns foram presos e outros demitidos.
 
Em Portugal, nada. Até agora ninguém foi condenado. Nem ostracismo existe. Ao contrário, frequentam os mesmos restaurantes de antes, vão às mesmas praias, tudo igual.
 
Os ex-administradores do BPP e do BPN passeiam as suas figuras pelas nossas ruas sem ponta e crítica ou recriminção.
 
Joe Berardo deve o que deve à CGD e continua a ser chamado de Comendador.
 
Ricardo Salgado do BES meteu-se numa embrulhada de remessas de divisas e a coisa toda foi elegantemente resolvida com um acerto junto das Finanças, como se ivesse saído de uma loja com a mercadoria debaixo do braço por pagar...puro esquecimento.
 
O Estado está a fazer  o que todos nós sabemos no BANIF e sobre os seus administradores nem uma vírgula.
 
Está bem que não precisam suicidar-se, mas a apresentação formal de desculpas ao povo Português seguida de um pedido de demissão e uma discreta saída da vida pública era o mínimo.
 
VERGONHA NA CARA, PRECISA-SE.

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