[....] chego a pensar que já estou em jejum há mais de um ano. Malditos sejam os edis, que estão em conluio com os padeiros, dizendo uns aos outros: Ajuda-me que eu te ajudarei! Com isso, sofre o povo miúdo, enquanto os tubarões nadam na abundância. [...] Os pães de hoje, ao contrário, são menores do que um olho de boi. Neste país, meus amigos, as coisas vão ...
de mal a pior. Pode ser que tudo cresça, mas como a cauda de um bezerro: para baixo. Isto, porém, não deve surpreender: nosso atual edil é um homem de nada, que venderia nossa vida por qualquer ninharia. Em sua casa há a maior abundância. E não podia deixar de ser assim, pois ele ganha por dia o que as pessoas não conseguem amealhar nem durante a vida inteira. Poderia narrar aqui um negocio no qual ele ganhou mil moedas de ouro. Mas, se tivéssemos sangue nas veias, as coisas não continuariam desse modo. Acontece que nosso povo, hoje em dia, não passa disso: em casa, são bravos como leões; na rua, covarde como ovelhas. [...] Acredito que tudo isso acontece pela vontade dos imortais, pois ninguém acredita mais que exista algum deus no céu. Ninguém mais que saber de jejuar. Ninguém mais cultua Jupiter. Com os olhos voltados para a terra, só se pensa em contar dinheiro..
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