É costume dizer que para bom entendedor meia palavra basta. O Primeiro Ministro resolveu precaver-se e, na entrevista de ontem, utilizou as palavras todas e foi bastante claro. Para Passos, a Constituição não trava mudanças no financiamento do sistema educativo, que pode, assim, passar a ser semi-público, com a introdução de co-pagamentos nos níveis de ensino que hoje são “gratuitos”.
Eu posso optar por não pagar o IMI ou o Imposto Sobre Circulação, basta não comprar casa ou automóvel. Mas como posso fugir a algo que é obrigatório.
O pagamento, que na verdade é mais um imposto, mais uma redução salarial, num país onde as taxas de escolaridade e de natalidade são tão baixas, é só a ponta de um debate muito maior. Se o estado garante-nos cada vez menos, porque raios havemos de pagar cada vez mais? Portugal está a transformar-se numa Dinibão: imposto dinamarquês e serviço público do Gabão.
É sempre bom estudar um pouco História para perceber que não foram poucas as vezes em que os regimes entraram em crise e ruíram justamente porque não conseguiam prover às suas populações os serviços que elas deles esperavam. Quando a Saúde e a Educação caírem nos mínimos dos mínimos, haverá sempre alguém a gritar que a nossa Democracia é muito cara para tão pouco proveito, e isso não é nada bom.
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