segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os gigantes partiram


Hoje, dia 31, é certamente para festejar o ano que aí vem (que passe rápido). Mas é impossível esquecer que 2012 foi particularmente triste em termos de perdas de grandes pensadores. Personagens polemistas, mentes brilhantes e sobretudo originais e independentes. Vão fazer-nos muita falta.

Albert Hirschman

Falecido no passado dia 10 de dezembro, Albert Hirschman nasceu em Berlim em 1915, fugiu dos nazistas em 1933, estudou em Paris, Londres e Trieste, integrou a resistência contra Mussolini, lutou no lado republicano da Guerra Civil Espanhola, serviu no exército francês até o colapso da França em 1940, ajudou a organizar a fuga dos refugiados para Espanha, emigrou para os EUA, alistou-se no exército e foi tradutor em Nuremberg.
Construiu sua reputação como um economista do desenvolvimento, mas abordou com igual relevância temas como a ciência política e a história do pensamento. O seu livro mais famoso
“Abandono, Voz e Lealdade: Respostas ao Declínio de Firmas, Organizações e Estados” (tradução brasileira), bem merecia uma edição portuguesa. Hirschman defende que as pessoas têm três maneiras diferentes de reagir face às organizações: a lealdade; o abandono, motivado por situações de concorrência; e o protesto, motivado por situações de monopólio. Hirschman levantou alguns problemas com o culto do abandono (atenção governantes e as suas críticas à zona de conforto), pois tal decisão manteria o status quo. Os ditadores podem reinar por mais tempo se os seus críticos mais audazes fugirem para o exterior.

Eric Hobsbawm

O historiador e professor emérito da Universidade de Londres morreu no dia 1 de outubro, aos 95 anos de idade.
A sua grande tetralogia – A Era das Revoluções (1789-1848), A Era do Capital (1848-1875), A Era do Império (1875-1914) e A Era dos Extremos (1914-1991) – continua a ser considerada pela maioria dos historiadores a melhor introdução à história do mundo moderno em língua inglesa – estas quatro obras estão editadas em português pela Editorial Presença.
Foi um escritor compulsivo e de muitas facetas. Cedo descobriu o jazz e foi crítico na revista New Statesman durante anos, sob o pseudónimo de Francis Newton. Escreveu até ao fim da vida. Em 2011, publicou um derradeiro livro, How To Change the World (Como mudar o mundo), defendendo a pertinência do pensamento económico de Marx perante o colapso bancário de 2008-2010

Gore Vidal

Gore Vidal nasceu na Academia Militar de West Point e foi criado em Washington, D.C., onde o seu avô era senador.
Ingressou na literatura quando adolescente, escrevendo contos e poemas. Publicou seu primeiro romance, Williwaw, aos 21 anos quando servia nas Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial, mas nos anos 50 passou a sofrer perseguições por parte dos conservadores liderados pelo senador McCarthy. Tem sido um crítico cáustico das posturas belicistas adotadas pelos dirigentes norte-americanos. Ao longo de toda a sua vida continuou a escrever livros e artigos para periódicos do mundo inteiro. Infelizmente, poucos dos seus livros estão disponíveis em Portugal.
Morreu no dia 31 de julho de 2012, com 86 anos, em Hollywood.

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